Abate de gado registra recorde em 2025 com 42,3 milhões de cabeças, China impulsiona exportações e novas cotas podem limitar vendas por empresa e pressionar preços

Crescimento do abate de gado de 13,1% no 4º trimestre, vendas de US$ 650 milhões à China em janeiro e cotas com sobretaxa de 55% elevam incerteza no setor

O Brasil alcançou um ritmo recorde de processamento de bovinos em 2025, impulsionado pela forte demanda chinesa e por um movimento de empresas em busca de mercados externos.

Produtores e frigoríficos comemoram números históricos, ao mesmo tempo em que se movimentam para lidar com restrições comerciais anunciadas por Pequim, que podem alterar a dinâmica das exportações.

As informações a seguir reúnem os principais dados e impactos do fenômeno, conforme informação divulgada pelo g1.

Dados e recorde do abate

Dados preliminares do IBGE mostram que o abate de gado no Brasil cresceu 13,1% no quarto trimestre de 2025 em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse avanço, se confirmado, levará o país a um total de 42,3 milhões de cabeças abatidas em 2025, o que seria um recorde.

A forte demanda chinesa impulsionou a aceleração do processamento e colocou o Brasil à frente dos Estados Unidos como o maior produtor mundial de carne bovina, segundo as apurações sobre o movimento do mercado.

Exportações e dependência da China

Dados do governo brasileiro indicam que a demanda chinesa permaneceu forte em janeiro, com as vendas para o país asiático alcançando US$ 650 milhões no mês passado, quase 45% a mais do que há um ano. Esse volume pressiona frigoríficos a priorizar embarques e adaptar a logística para atender o mercado chinês.

No total, o Brasil vendeu cerca de 232,000 toneladas métricas de carne bovina fresca para vários destinos em janeiro de 2026, gerando quase US$ 1,3 bilhão em receita. A participação da China no comércio de carne bovina do Brasil foi de aproximadamente metade, em valor e volume, o que aumenta a exposição do setor a decisões comerciais de Pequim.

Cotas chinesas e riscos para empresas e preços

Qualquer coisa que exceda um determinado limite será tributada com uma sobretaxa de 55%, medida que faz parte de cotas máximas anuais de importação implantadas pela China para fornecedores ao longo de três anos.

As “medidas de salvaguarda” da China assustaram os processadores locais. Em resposta, o governo brasileiro discute com o setor um plano para atribuir cotas específicas às empresas, na mesma proporção de suas exportações para a China no ano passado, com o objetivo de regular os suprimentos.

Pequim isentará 1,106 milhão de toneladas métricas de carne bovina brasileira de tarifas adicionais este ano. Em média, os exportadores locais venderiam cerca de 92,000 toneladas mensais para a China abaixo do limite, em comparação com quase 140,000 toneladas mensais em 2025, o que revela a magnitude do ajuste que o mercado terá de enfrentar.

O que muda na prática

Se a proposta de cotas por empresa avançar, frigoríficos menores e maiores podem ver sua estratégia de venda alterada, criando competição por fatias da cota e potencial pressão sobre preços internos do gado.

Defensores da medida afirmam que a distribuição de cotas pode evitar uma corrida às exportações que elevaria preços domésticos do boi, enquanto críticos alertam para uma interferência inédita nas exportações de alimentos.

O setor agora acompanha negociações entre governo e empresas, buscando mecanismos para reduzir riscos e preservar os ganhos que levaram o Brasil a bater recordes de abate em 2025.