Acerto em Abu Dhabi, acordo de paz EUA Ucrânia Rússia pode decidir controle do Donbas, Zelensky diz documentos ‘quase prontos’, Peskov exige retirada

Negociações trilaterais em Abu Dhabi reúnem equipes para finalizar guerra, definir garantias de segurança dos EUA e resolver a última pendência territorial, o Donbas

Equipes da Ucrânia, da Rússia e dos EUA se encontraram pela primeira vez em um formato trilateral em Abu Dhabi, com o objetivo de avançar em um acordo que possa encerrar a guerra, com foco na região do Donbas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que os documentos para finalizar o conflito estão "quase prontos", após negociações com o presidente dos EUA, Donald Trump, sobre garantias de segurança norte-americanas para o pós-guerra.

O encontro reuniu delegações técnicas, sem a presença inicial dos chefes de Estado, e tratou de pontos que os EUA consideram como a última pendência territorial entre Ucrânia e Rússia, conforme informação divulgada pelo g1.

O que está em jogo em Abu Dhabi

A principal questão a ser resolvida na cúpula é o controle do Donbas, território no leste ucraniano tomado em parte pela Rússia desde 2014, e ampliado após a invasão em 2022.

Em coletiva on-line, Zelensky declarou, "O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã".

Para a Ucrânia, ceder territórios ainda sob seu controle é inaceitável, segundo posições públicas do governo de Kiev. Já a Rússia voltou a reafirmar a exigência de retirada das tropas ucranianas da região.

Posições de Rússia e EUA antes da reunião

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que "É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante".

Peskov também falou em uma "fórmula Anchorage" como caminho para resolver o conflito pacificamente, numa referência implícita ao encontro anterior entre líderes internacionais.

Do lado dos EUA, Trump e seus representantes buscaram assegurar garantias de segurança à Ucrânia no pós-guerra, incluindo fornecimento de equipamentos de defesa aérea, segundo relatos das negociações em Davos que antecederam Abu Dhabi.

Avanços e citações diretas sobre o acordo

O enviado especial de Trump para a guerra, Steve Witkoff, se encontrou com Vladimir Putin em Moscou, numa tentativa de acelerar o entendimento, e afirmou que "falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia" para fechar o acordo.

Zelensky seguiu a linha de Otimismo, afirmando que os documentos estão "quase prontos" depois do consenso com os EUA sobre garantias de segurança.

Trump, por sua vez, afirmou que acredita que o fim do conflito está próximo, dizendo, "Terminamos com oito guerras, e acredito que o fim de outra esteja vindo muito em breve".

Próximos passos e riscos à negociação

A cúpula técnica em Abu Dhabi deve definir moldes para um eventual acordo, mas a questão territorial do Donbas é apresentada pelos EUA como a última pendência entre as partes.

Riscos permanecem altos, porque a posição russa de exigir retirada total das tropas ucranianas da região confronta a recusa ucraniana em entregar áreas ainda controladas por Kiev.

Além da disputa territorial, ataques contínuos à infraestrutura ucraniana complicam a atmosfera política, e Zelensky chegou a afirmar que a Rússia tenta "congelar os ucranianos até a morte" em referência aos ataques ao fornecimento de energia.

Repercussões diplomáticas e o papel dos EUA

Se confirmadas, as garantias de segurança dos EUA após o conflito poderão ser o elemento decisivo para que a Ucrânia aceite compromissos, segundo fontes das negociações.

Especialistas apontam que um acordo dependerá não só de compromissos escritos, como de mecanismos de fiscalização e garantias concretas de defesa, pontos que serão objeto de debate nas próximas horas em Abu Dhabi.

O desfecho da reunião trilateral terá impacto imediato na diplomacia mundial, e será acompanhado de perto por aliados europeus, que Zelensky criticou por fragmentação durante os últimos encontros diplomáticos.