Acerto final do acordo de paz com foco no Donbas, EUA, Ucrânia e Rússia fazem 1ª reunião trilateral em Abu Dhabi para tentar encerrar a guerra
Negociações entre as três partes em Abu Dhabi tratam garantias de segurança dos EUA, controle do Donbas e textos ‘quase prontos’ para um possível acordo de paz
A primeira reunião trilateral entre EUA, Ucrânia e Rússia começou com o objetivo declarado de resolver a última grande pendência do conflito, a questão territorial do Donbas.
As equipes negociadoras se reúnem em Abu Dhabi entre sexta-feira, dia 23, e sábado, para discutir texto de acordo de paz e garantias de segurança que os Estados Unidos ofereceriam à Ucrânia no pós-guerra.
O encontro envolve delegações técnicas, sem a presença inicial dos chefes de Estado, e marca um movimento inédito para tentar selar um fim negociado ao conflito, conforme informação divulgada pelo g1
O Donbas como ponto central e a exigência russa
A região do Donbas foi definida pelo presidente ucraniano como central às conversas, em declaração pública, “O Donbas é uma questão central. Ele será discutido no formato que as três partes considerarem adequado em Abu Dhabi, hoje e amanhã”.
Antes do início das negociações, o Kremlin voltou a reafirmar sua posição máxima sobre o território. O porta-voz Dmitry Peskov disse, de forma direta, “É bem conhecido que a posição da Rússia é que a Ucrânia e as Forças Armadas ucranianas devem deixar Donbas. Esta é uma condição muito importante”.
Peskov também mencionou uma chamada “fórmula Anchorage” como caminho para uma resolução pacífica, em referência a um episódio diplomático anterior entre líderes e em aparente recado aos EUA.
Documentos ‘quase prontos’ e o papel das garantias dos EUA
O presidente Volodymyr Zelensky afirmou que os documentos que poderiam encerrar a guerra estão “quase prontos”, após o avanço nas conversas com o presidente dos EUA, Donald Trump, durante encontro em Davos.
Zelensky disse que houve consenso sobre as garantias de segurança que os Estados Unidos providenciariam no pós-conflito, incluindo o fornecimento de equipamentos de defesa, com a intenção de sustentar um acordo de paz que preserve a soberania ucraniana.
Ao mesmo tempo, Zelensky pediu que os russos se mostrem dispostos a negociar, dizendo que “os russos devem estar preparados para chegar a compromissos”, afirmativa que reflete a principal divisão sobre cessões territoriais.
Quem participa e sinais diplomáticos recentes
A delegação russa é liderada pelo almirante Igor Kostyukov, enquanto a Ucrânia e os EUA enviaram equipes técnicas para discutir os termos. Não houve, ao menos inicialmente, encontros formais entre os presidentes no local.
Na véspera das reuniões em Abu Dhabi, o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, encontrou-se com Vladimir Putin em Moscou. Witkoff afirmou que um acordo pode estar próximo e disse que “falta apenas uma questão entre Ucrânia e Rússia”.
O presidente Trump também sinalizou otimismo sobre um desfecho, lembrando que já declarou encerramentos de conflitos anteriormente, e sugeriu que o fim da guerra poderia estar próximo.
Cenários, riscos e o caminho até um acordo de paz
O cerne das negociações é a definição do controle territorial do Donbas e as garantias de segurança no pós-guerra. Para a Ucrânia, ceder territórios que ainda controla é inaceitável, o que torna difícil qualquer fechamento sem concessões claras da Rússia.
Do lado russo, a exigência de retirada das Forças Armadas ucranianas do Donbas permanece uma condição essencial, segundo o porta-voz Peskov, o que mantém o impasse sobre a versão final do acordo de paz.
Se as delegações avançarem na redação dos textos e em conectá-los às garantias militares e políticas oferecidas pelos EUA, a cúpula de Abu Dhabi pode abrir espaço para um acordo, embora o resultado dependa de compromissos difíceis de ambas as partes.
Nos próximos dias, investidores e governos monitorarão os desdobramentos, porque o sucesso ou fracasso das negociações trilaterais impactará não só a segurança europeia, como também o mapa geopolítico da região.