quinta-feira, junho 4, 2026

Acordo Mercosul-UE: Câmara aprova texto que abre mercado europeu e governo projeta R$ 37 bilhões no PIB, mais exportações, investimentos e trunfo eleitoral

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Governo afirma que o Acordo Mercosul-UE pode ampliar exportações, reduzir tarifas e atrair investimentos, com efeitos sobre emprego, competitividade e inserção internacional do Brasil

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (24) os termos do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, e o texto agora segue ao Senado para o próximo passo no processo de ratificação interna no Brasil.

O governo destacou que o acordo deve facilitar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu, especialmente do agronegócio, além de trazer segurança jurídica para investimentos e estímulos à modernização da indústria.

Negociado há mais de 25 anos, o tratado prevê redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, e o Executivo avalia que isso pode ser explorado como um trunfo político nas próximas eleições, conforme informação divulgada pelo g1.

Projeções econômicas e números oficiais

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, as estimativas do governo sobre o impacto do acordo concentram-se em comércio, investimentos e competitividade.

O texto oficial aponta que o acordo pode gerar impacto positivo de cerca de 0,34% no PIB brasileiro, o equivalente a aproximadamente R$ 37 bilhões, além de elevar o investimento em 0,76% (cerca de R$ 13,6 bilhões) no longo prazo. Essas projeções também preveem redução média de preços ao consumidor e ganho de competitividade pela queda de tarifas.

Além dos números, o governo lista efeitos esperados como geração de empregos, abertura de mercados para o agronegócio e a indústria, e fortalecimento da imagem internacional do Brasil.

O que muda para exportadores e indústrias

Com a redução gradual de tarifas e regras comuns entre blocos, exportadores brasileiros devem ter mais facilidade para acessar cadeias de produção europeias, e empresas podem ganhar escala e eficiência.

O Executivo também destaca que o acordo traz maior segurança jurídica para investimentos estrangeiros, abertura de compras públicas e estímulos à modernização industrial, fatores que, segundo Brasília, podem atrair capitais e tecnologia.

Trunfo político e próximos passos

No plano político, integrantes do governo veem o avanço do Acordo Mercosul-UE como resultado da atuação técnica do Itamaraty e da prioridade dada pelo presidente Lula à retomada das negociações internacionais.

A estratégia oficial indica que o acordo será apresentado como demonstração de capacidade de articulação externa do país e como elemento para diversificar parceiros comerciais e ampliar cooperação em temas ambientais e de desenvolvimento sustentável.

Com a aprovação na Câmara, o texto segue ao Senado, onde deve receber o último aval antes da conclusão do processo de ratificação interna no Brasil, e, em seguida, cada país membro terá de aprovar internamente as cláusulas do tratado antes que ele entre em vigor.

Impacto para consumidores e riscos

O governo projeta queda média de preços ao consumidor e aumento da competitividade, mas especialistas e setores sensíveis do mercado, como produtores menos competitivos, alertam para a necessidade de medidas de ajuste e proteção transitória.

Entre os desafios estão a adaptação de cadeias produtivas, a supervisão de padrões sanitários e ambientais, e a implementação de regras comuns sem prejudicar segmentos vulneráveis da economia.

Em resumo, o Acordo Mercosul-UE promete ampliar o comércio e atrair investimentos, com efeitos econômicos quantificados pelo governo, e também passa a ser tratado como peça de comunicação política pelo Executivo enquanto avança no Congresso.

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