Acordo Mercosul-UE: como zerar tarifas em até 15 anos pode baratear vinhos europeus e ampliar oferta de chocolates premium no Brasil
Entenda os prazos e efeitos do Acordo Mercosul-UE, com redução gradual de tarifas sobre vinhos, chocolates e azeite, e o que isso muda para consumidores e produtores
O Acordo Mercosul-UE, aprovado de forma provisória pelos países europeus, prevê a redução gradual de tarifas que incidem sobre vinhos e chocolates, entre outros produtos.
Se entrar em vigor, a medida pode ampliar a oferta de rótulos importados e permitir a chegada de marcas premium que hoje têm presença limitada no Brasil.
Os detalhes sobre prazos e percentuais indicam mudanças significativas para importadores e varejistas, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o vinho europeu pode ficar mais barato
Atualmente, os países do Mercosul pagam uma tarifa de 27% para importar vinhos da Europa. Com o Acordo Mercosul-UE, essa taxa será zerada entre 8 a 12 anos, a depender do produto.
Na Europa, há grandes produtores como Itália, França e Espanha, e é possível encontrar, nas palavras de especialistas, “vinhos muito bons por dois, três, quatro euros”. A cobrança elevada no Brasil, no entanto, acaba nivelando preços e desestimulando a importação de rótulos mais baratos.
Roberto Kanter, professor de MBAs da FGV, afirmou que “Com as tarifas atuais, é melhor você importar um vinho de 15 euros do que de cinco. Por quê? Porque a tarifa do imposto acaba igualando todos eles em uma faixa semelhante de preço e o cliente brasileiro que compra vinho da Europa já está disposto a pagar mais caro por ele”.
Como produtores e mercado podem reagir
A redução gradual das tarifas deve dar tempo para a produção nacional, concentrada no Rio Grande do Sul, se adaptar ao aumento da concorrência. Marcos Troyjo, que liderou as negociações entre 2019 e 2020, disse que “Alguém pode dizer: ‘poxa, mas vai ter muita competição do vinho europeu’. Mas na realidade, quando você tem uma um acordo desse, os consumidores passam a tomar mais vinho, você aumenta o número de fornecedores de garrafas, de rótulos, de rolhas”.
Troyjo reforçou também que “Aumenta também o número de vagas de emprego para garçons, para somelliers, ou seja, você dá um choque de expansão setorial”. Em outras palavras, a abertura comercial pode ampliar o mercado além de pressionar preços em médio e longo prazos.
Chocolates premium, mais variedade, nem sempre preços baixos
No caso do chocolate, a tarifa atual é de 20% e o Acordo Mercosul-UE prevê que parte dos produtos terá tarifa zero em 10 anos e outra parte em 15 anos. Isso pode facilitar a chegada de marcas europeias de alto padrão ao mercado brasileiro.
Segundo Kanter, “Os principais beneficiados serão os importadores. Eles vão ganhar mais dinheiro. Com a tarifa menor, terão mais margem de lucro e isso vai permitir aumentar os canais de distribuição”. Com isso, marcas que hoje se concentram nas grandes capitais podem ampliar lojas e pontos de venda em outras cidades.
Apesar da maior oferta, o professor lembra que isso “não beneficia as classes B e C”, e que produtos de primeira linha mantêm preço elevado por posicionamento de mercado, mesmo com redução de tarifas.
Outros pontos práticos e o prazo para vigorar
O acordo também prevê tarifa zero para a importação de azeite de oliva da União Europeia, embora o governo brasileiro já tenha isentado o produto do imposto de importação desde março deste ano.
A aprovação na UE foi provisória, e a formalização depende do envio de confirmações por escrito, dentro de prazos administrativos. Enquanto isso, a execução das reduções tarifárias seguirá os calendários de 8 a 15 anos previstos no texto, dependendo do produto.
Em suma, o Acordo Mercosul-UE tem potencial para ampliar oferta e diversificar marcas no Brasil, com impacto mais visível no médio e longo prazos, afetando importadores, varejistas, produtores e consumidores de forma distinta.