Acordo UE-Mercosul: Alckmin afirma que 30% dos exportadores brasileiros vendem à UE, tratado deve ser assinado em dias e pode entrar em vigor em 2026

Governo projeta assinatura do acordo UE-Mercosul nos próximos dias, com impacto em exportadores, investimentos e compromisso com a sustentabilidade até 2026

O vice-presidente Geraldo Alckmin celebrou a confirmação provisória do apoio dos países da União Europeia ao acordo UE-Mercosul e afirmou que a sinalização abre caminho para a assinatura do tratado.

Alckmin afirmou que um terço dos exportadores brasileiros já atua no mercado europeu, um dado que, segundo ele, reforça a importância do acordo para a indústria e o agronegócio.

As negociações, que duram mais de 25 anos, podem resultar em redução de tarifas, regras comuns para comércio e maior atração de investimentos europeus para o Mercosul, conforme informação divulgada pelo g1.

O que disse Alckmin

Ao comentar a aprovação provisória pelos países da União Europeia, Alckmin destacou que “30% dos exportadores brasileiros vendem produtos para países da União Europeia, cerca de 9 mil empresas“.

Ele também defendeu o acordo como um avanço do multilateralismo e da sustentabilidade, citando textualmente, “Este acordo fortalece o multilateralismo, o comércio entre os dois blocos, comércio com regras, promove investimentos, devemos ter mais investimentos europeus no Mercosul, fortalece a sustentabilidade, porque Brasil assume compromisso de combate às mudanças climáticas. É ganha-ganha. Produtos mais baratos e de melhor qualidade”, disse Alckmin.

Próximos passos, assinaturas e internalização

O vice-presidente projetou que o acordo deve ser assinado nos próximos dias no Paraguai, e que a entrada em vigor pode ocorrer em 2026. Sobre a tramitação doméstica, Alckmin afirmou, “Tem que aprovar lei no Congresso brasileiro. Há a necessidade de internalizar. Primeiro, assina. Depois de assinado, a Europa internaliza pelo parlamento europeu. No Mercosul, cada país faz sua lei. Nossa expectativa é fazer nesse semestre”, projetou Alckmin.

A confirmação pelos Estados-membros da UE foi divulgada pela presidência rotativa do Chipre, que informou haver uma ampla maioria favorável. Os países tinham prazo para confirmar os votos por escrito.

Dimensão e alcance do acordo

O governo brasileiro descreve o pacto como o maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores fechados pela União Europeia com parceiros, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e um PIB de mais de US$ 22 trilhões de dólares.

Para o Brasil, o tratado amplia o acesso a um mercado estimado em 451 milhões de consumidores, e seus efeitos vão além do agronegócio, alcançando diferentes segmentos da indústria e cadeias de valor.

Impactos para exportadores e setor agrícola

Especialistas e autoridades avaliam que a redução gradual de tarifas e a harmonização de regras podem tornar produtos mais competitivos e atrair investimentos.

Apesar da sinalização favorável, o acordo enfrenta críticas de setores agrícolas na Europa, sobretudo na França, e a aprovação final dependerá da internalização por parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu.

Se concretizado, o acordo UE-Mercosul deve redesenhar fluxos comerciais e criar expectativas de maior investimento estrangeiro direto e de maior integração regulatória, com implicações para empresas e consumidores em ambos os blocos.