Acordo UE-Mercosul aprovado pela UE em 2026, entenda como a eliminação de tarifas em cerca de 90% do comércio bilateral vai afetar consumidores, agricultura e indústria

O acordo UE-Mercosul avança com aprovação provisória na União Europeia em 2026, prevê redução gradual de tarifas, regras para serviços e pressão por compromissos ambientais

A aprovação provisória do tratado pela União Europeia abre uma nova etapa nas relações comerciais entre os blocos, com impactos esperados em preços, cadeias produtivas e comércio de commodities.

O texto final consolida capítulos sobre tarifas, serviços, compras públicas, regras de origem e proteção de propriedade intelectual, assuntos que estiveram no centro das negociações.

A tramitação ainda exigirá aprovações em parlamentos nacionais e no Congresso Europeu, antes da vigência efetiva do pacto.

conforme informação divulgada pelo g1

Linha do tempo dos 25 anos de negociações

Tudo começou em 1991, quando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, um marco que transformou a percepção da União Europeia sobre o bloco sul-americano como parceiro estratégico.

Em 1995, os blocos assinaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, que definiu bases políticas e mecanismos de diálogo, e, em 1999, as tratativas comerciais começaram oficialmente.

Ao longo dos anos surgiram impasses, especialmente sobre subsídios agrícolas europeus e a abertura industrial do Mercosul, e o processo teve períodos de paralisação entre 2004 e 2010 por divergências e mudanças políticas.

Conteúdo do acordo e pontos centrais

Em 2019, Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo, e o texto previa a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral e regras comuns para serviços e compras públicas, uma mudança potencialmente ampla para exportadores e importadores de ambos os lados.

Entre 2020 e 2022, a União Europeia exigiu compromissos ambientais mais rigorosos, incluindo políticas para combater o desmatamento e a aplicação do Acordo de Paris, o que levou à negociação de um instrumento ambiental adicional em 2023.

O Mercosul aceitou parte das propostas ambientais, mas criticou a previsão de sanções unilaterais, e os textos foram consolidados após revisão jurídica e articulação política até 2024.

Decisões recentes e próximas etapas

Segundo a cobertura do g1, Os países da União Europeia aprovaram o acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9), decisão que, segundo a mesma fonte, “abre caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para o dia 17 de janeiro”.

Mesmo com essa aprovação, o caminho até a vigência inclui a ratificação pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos, além de possíveis ações judiciais ou pressões setoriais em países europeus mais resistentes.

O processo final também deverá detalhar cronogramas de eliminação tarifária, salvaguardas para setores sensíveis, mecanismos de resolução de disputas e regras ambientais que poderão ser objeto de monitoramento bilateral.

Quem ganha e riscos imediatos

O acordo tende a beneficiar consumidores com queda de preços em produtos importados e exportadores com acesso ampliado a mercados, mas há setores, como certos ramos da agricultura europeia, que expressaram resistência política, o que atrasou a ratificação.

Riscos apontados incluem desafios na implementação de compromissos ambientais, ajustes estruturais na indústria e a necessidade de adaptação de pequenas empresas às regras de origem e competição internacional.

Analistas e governos ainda precisarão acompanhar de perto as fases de implementação, que definirão os efeitos práticos do pacto nas economias e no comércio entre Europa e Mercosul.