No acordo UE-Mercosul o texto prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral, regras para serviços e compras públicas, e ainda precisa de ratificação
O entendimento final entre União Europeia e Mercosul é o resultado de mais de 25 anos de negociações, com idas e vindas motivadas por mudanças políticas, pressões setoriais e debates ambientais.
O texto aprovado provisoriamente pela UE cria um roteiro para reduzir tarifas e harmonizar regras comerciais, mas a vigência depende de aprovações legislativas adicionais.
Conforme informação divulgada pelo g1, os próximos capítulos envolvem assinaturas formais e ratificação nos parlamentos, com debates intensos sobre impactos econômicos e ambientais.
Linha do tempo resumida
Tudo começou em 1991, quando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul, e a União Europeia passou a ver o bloco como um parceiro estratégico.
Em 1994 a ideia de um acordo formal ganhou força, no contexto das discussões sobre a Área de Livre Comércio das Américas, e em 1995 os dois blocos assinaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional.
As tratativas comerciais começaram oficialmente em 1999, organizadas em frentes políticas, de cooperação e de livre comércio, mas logo surgiram impasses sobre subsídios agrícolas europeus e abertura industrial no Mercosul.
Em 2004 as negociações chegaram a um momento crítico, e entre 2004 e 2010 o processo passou por uma paralisação, por divergências internas e mudanças no cenário político das duas regiões.
Retomada, texto técnico e ajustes ambientais
O diálogo voltou com força em 2016, quando avanços em capítulos sobre tarifas, serviços, compras públicas e propriedade intelectual foram definidos, e em 2019 Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo político.
Naquele texto, o acordo previa a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral, além de regras comuns para serviços e compras públicas, e o tema ambiental passou a ganhar peso decisivo nas negociações.
Entre 2020 e 2022 a União Europeia exigiu compromissos mais rigorosos no combate ao desmatamento e na aplicação do Acordo de Paris, e em 2023 foi apresentado um instrumento ambiental adicional, com pontos aceitos e pontos criticados pelo Mercosul.
Aprovação pela UE, assinatura e etapas para vigorar
Os países da União Europeia aprovaram o acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9), A decisão abre caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para o dia 17 de janeiro.
Por fim, em 2026, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para a assinatura formal e para a criação da maior área de livre comércio do mundo, segundo o histórico das negociações.
Para entrar em vigor, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos, etapas que podem incluir condicionantes e reservas setoriais.
O que muda e as controvérsias
O acordo UE-Mercosul promete reduzir custos de comércio, com potencial para tornar produtos importados mais baratos, e ampliar oportunidades para exportadores sul-americanos no mercado europeu.
Ao mesmo tempo, setores agrícolas europeus questionaram o impacto concorrencial, e ONGs ambientais pediram garantias mais fortes sobre monitoramento e sanções em casos de desmatamento.
O texto final exige articulação política para conciliar interesses comerciais, compromissos ambientais e a necessidade de aprovação nos parlamentos, etapas que definirão o alcance prático do acordo UE-Mercosul nos próximos anos.