Acordo UE-Mercosul aprovado pela UE, linha do tempo dos 25 anos de negociações, impactos econômicos, ambientais e próximos passos para a ratificação
Entenda como se chegou ao texto final, o que muda com a eliminação gradual de tarifas e quais etapas ainda faltam para o acordo UE-Mercosul entrar em vigor
A União Europeia aprovou provisoriamente o acordo com o Mercosul, decisão que abre caminho para a assinatura formal do tratado prevista para o dia 17 de janeiro, conforme informação divulgada pelo g1.
O pacto é o resultado de mais de 25 anos de negociações, permeadas por impasses políticos, divergências sobre agricultura e questões ambientais.
Para entrar em vigor, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos, conforme informação divulgada pelo g1.
Como começou a aproximação entre os blocos
O processo entre a União Europeia e o Mercosul remonta a 1991, quando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul.
Em 1995, os dois blocos firmaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, que estabeleceu bases políticas e mecanismos de diálogo e cooperação.
As negociações comerciais foram iniciadas oficialmente em 1999, organizadas em frentes de diálogo político, cooperação e livre comércio.
Fases críticas, paralisações e retomadas
Ao longo das décadas surgiram pontos de atrito, especialmente sobre os subsídios agrícolas europeus e a abertura industrial no Mercosul.
Entre 2004 e 2010 o processo ficou praticamente paralisado por divergências internas, protecionismo na Europa e mudanças políticas na América do Sul.
O diálogo foi retomado com força em 2016, e avanços técnicos culminaram na conclusão política do texto em 2019.
Conteúdo do acordo e dados centrais
O texto técnico fechado em 2019 previa a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral, e regras comuns para serviços e compras públicas, conforme informação divulgada pelo g1.
Entre 2020 e 2022, a União Europeia exigiu compromissos ambientais mais rígidos, ligados ao combate ao desmatamento e à aplicação do Acordo de Paris.
Em 2023 foi apresentado um instrumento ambiental adicional, aceito em parte pelo Mercosul, que criticou a previsão de sanções unilaterais.
Consolidação do texto, aprovação e próximos passos
Os blocos consolidaram o texto final em 2024, após revisão jurídica e articulação política, mas enfrentaram resistências de países europeus com forte setor agrícola em 2025.
Em 2026 a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para o dia 17 de janeiro, conforme informação divulgada pelo g1.
Para que o acordo UE-Mercosul entre em vigor será necessário o aval do Congresso Europeu e dos parlamentos dos países sul-americanos, etapas que podem introduzir alterações ou prazos dilatados.
As implicações incluem maior acesso a mercados, potencial queda de preços em itens exportados por ambos os blocos, e debates renovados sobre cadeias de produção, propriedade intelectual e salvaguardas ambientais.