Acordo UE-Mercosul aprovado pela UE, veja os principais momentos das 25 anos de negociações, assinatura em 17 de janeiro, pontos ambientais e impacto no comércio
Como o acordo UE-Mercosul evoluiu ao longo de mais de 25 anos, quais foram os gatilhos políticos e ambientais, e o que falta para o tratado valer na prática
Os países da União Europeia aprovaram o acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9). A decisão abre caminho para passos formais e amplia expectativas sobre comércio e investimentos.
A decisão abre caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para o dia 17 de janeiro. Ainda há etapas institucionais a cumprir antes da vigência, e o calendário político será determinante.
Para entrar em vigor, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos, conforme informação divulgada pelo g1
Origens e primeiros passos, 1991 a 1999
Tudo começou em 1991, quando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul. Na década de 1990, a União Europeia passou a ver o bloco sul-americano como parceiro estratégico, e, em 1995, foi assinado o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, que estabeleceu bases políticas e mecanismos de diálogo.
As negociações comerciais entre os blocos começaram oficialmente em 1999, organizadas em frentes que tratavam de diálogo político, cooperação e livre comércio, e rapidamente surgiram impasses sobre agricultura e indústria.
Crises, paralisação e retomada, 2004 a 2016
Em 2004 as negociações chegaram a um ponto crítico, com o Mercosul reclamando do acesso limitado ao mercado agrícola europeu, e a UE apontando resistência à abertura industrial sul-americana.
Entre 2004 e 2010 o processo ficou praticamente paralisado, por divergências internas e mudanças políticas, e só ganhou impulso novamente a partir de 2016, com nova dinâmica no comércio global e interesse renovado da Europa.
Conclusão técnica, exigências ambientais e ajustes, 2019 a 2024
Foi apenas em 2019 que Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo político. O texto inicial previa a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral e regras para serviços e compras públicas, o que transformaria drasticamente as relações comerciais entre os blocos.
Após 2019 surgiram críticas ambientais e resistências políticas em alguns países europeus, o que levou a negociações adicionais entre 2020 e 2022 sobre compromissos contra o desmatamento e a aplicação do Acordo de Paris.
Em 2023 foi apresentado um instrumento ambiental adicional, que o Mercosul aceitou em parte, e os blocos consolidaram o texto final em 2024, após revisão jurídica e articulação política.
Aprovação provisória e próximos passos, 2025 em diante
Em 2025 a aprovação enfrentou resistência de países europeus com setores agrícolas fortes, como França, Polônia e Irlanda, o que atrasou a ratificação plena do tratado.
Em 2026, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para a assinatura formal e para a criação da maior área de livre comércio do mundo, segundo o histórico do processo.
Com a assinatura prevista para 17 de janeiro, restam etapas decisivas: aprovação pelo Congresso Europeu, e depois a ratificação nos legislativos dos países sul-americanos, etapas que definirão prazos, salvaguardas e impacto final para consumidores e produtores.
O texto aprovado altera tarifas, regras de origem e acesso a compras públicas, e tende a reduzir preços de produtos importados, ao mesmo tempo em que reacende debates sobre concorrência no setor agrícola e garantias ambientais.
Ao longo da matéria foram utilizados dados e trechos do levantamento e infográfico citados pelo g1, que documenta a linha do tempo e os principais pontos técnicos do acordo.