Acordo UE-Mercosul aprovado pela União Europeia, veja 25 anos de negociações, impactos nas tarifas, meio ambiente e próximos passos para ratificação
O acordo UE-Mercosul, fatos decisivos e os efeitos esperados no comércio, nas compras públicas, nos serviços e nas exigências ambientais entre os blocos
A aprovação pela União Europeia marca um avanço em décadas de negociações, com consequências diretas para exportadores, importadores e cadeias industriais em ambos os lados.
O texto final combina compromissos comerciais e medidas ambientais, e ainda depende de ratificações nacionais antes de entrar em vigor.
A seguir, a linha do tempo dos principais momentos, os pontos centrais do pacto e os próximos passos para a ratificação, conforme informação divulgada pelo g1
Aprovação pela UE e próximos passos
Os países da União Europeia aprovaram o acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9).
A decisão abre caminho para a assinatura formal do tratado, prevista para o dia 17 de janeiro.
Para entrar em vigor, o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos.
O que está previsto no texto
O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral e regras comuns para serviços e compras públicas.
Essa previsão significa mudanças importantes para exportadores de produtos agrícolas e industriais, e para empresas que atuam em contratos públicos e em serviços transfronteiriços.
Linha do tempo dos 25 anos de negociações
Tudo começou em 1991, quando Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai assinaram o Tratado de Assunção, que criou o Mercosul.
Em 1995, os dois blocos assinaram o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional, que definiu bases políticas, institucionais e econômicas, além de mecanismos de diálogo, cooperação técnica e incentivo a investimentos.
Foi apenas em 2019 que Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo político.
Entre 2004 e 2010, o processo ficou praticamente paralisado, em razão de divergências internas, políticas protecionistas na Europa e mudanças no cenário político da América do Sul.
Controvérsias ambientais e resistências políticas
Entre 2020 e 2022, a UE passou a exigir compromissos ambientais mais rigorosos, relacionados ao combate ao desmatamento e à aplicação do Acordo de Paris.
Em 2023, foi apresentado um instrumento ambiental adicional. O Mercosul aceitou parte das propostas, mas criticou a previsão de sanções unilaterais.
Os blocos consolidaram o texto final em 2024, após revisão jurídica e articulação política, Em 2025, porém, a aprovação enfrentou resistência de países europeus com setores agrícolas fortes, como França, Polônia e Irlanda, Por fim, em 2026, a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, abrindo caminho para a assinatura formal e para a criação da maior área de livre comércio do mundo.
Em termos práticos, a implementação dependerá do calendário de ratificações nacionais, e de eventuais adaptações nas regras públicas e privadas dentro de cada país.
O acordo UE-Mercosul promete reduzir barreiras e ampliar mercados, mas também amplia o debate sobre sustentabilidade, segurança alimentar e proteção de produtores locais, temas que seguirão no centro das discussões até a ratificação final.