Acordo UE-Mercosul aprovado provisoriamente pela União Europeia, aval abre caminho para assinatura de von der Leyen, França e produtores rurais reagem
Decisão provisória do acordo UE-Mercosul exige confirmações por escrito até as 17h em Bruxelas, enfrenta oposição da França e da Irlanda, e amplia mercado para 451 milhões
A União Europeia aprovou provisoriamente o acordo UE-Mercosul durante reunião de embaixadores em Bruxelas, abrindo caminho para a assinatura do tratado após décadas de negociações.
A formalização ainda depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas, 13h no Brasil, o que mantém a decisão em caráter provisório até essa etapa ser concluída.
A aprovação ocorreu apesar da oposição da França, da Irlanda e de outros países que temem impactos negativos sobre o setor agrícola, relataram diplomatas europeus, conforme informação divulgada pelo g1.
Como foi a votação e os próximos passos
A maioria dos 27 países do bloco sinalizou voto favorável na reunião em Bruxelas, segundo agências internacionais, e com o aval a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o acordo na próxima segunda-feira, 12, no Paraguai.
A formalização dos votos, no entanto, ainda depende do envio de confirmações por escrito até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil), informaram as fontes, o que significa que a assinatura só será possível se essas confirmações chegarem dentro do prazo estabelecido.
Resistência de países e produtores
A aprovação ocorreu apesar da oposição da França, da Irlanda e de outros países que temem impactos negativos sobre o setor agrícola, relataram diplomatas europeus, frase que resume a principal resistência ao texto.
Em comunicado, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou, “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, posicionamento que antecipa pressões internas de produtores rurais preocupados com concorrência e normas ambientais.
Impacto para o Brasil e para o Mercosul
Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e tem impactos que vão além do agronegócio, abrangendo setores da indústria brasileira.
O texto prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas, além de regras comuns sobre comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, conforme as cláusulas negociadas ao longo de mais de 25 anos de conversas entre os blocos.
O que o acordo prevê e os pontos em disputa
De forma geral, o acordo UE-Mercosul prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de regras comuns para temas como comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, conforme o texto negociado há mais de 25 anos.
As principais disputas ficam em torno de proteção ao setor agrícola europeu, critérios ambientais e mecanismos de salvaguarda, temas que devem orientar debates nas próximas semanas mesmo após a possível assinatura do tratado.