Acordo UE-Mercosul aprovado provisoriamente pela União Europeia, impactos para o Brasil e controvérsias com França e setor agrícola
Países da UE deram sinal verde que abre caminho para assinatura, com apoio empresarial e resistência de agricultores, veja consequências para exportações brasileiras
O bloco europeu deu um passo decisivo em direção à formalização do Acordo UE-Mercosul, em votação realizada por embaixadores em Bruxelas nesta sexta-feira, dia 9.
A decisão foi tomada de forma provisória, e a formalização depende do envio de confirmações por escrito até as 17h, no horário de Bruxelas, 13h no Brasil, segundo diplomatas.
As negociações, que duram mais de 25 anos, dividem opiniões entre setores empresariais e produtores rurais, e a informação foi divulgada pelo g1.
Como foi a votação e o que falta para a assinatura
Segundo diplomatas ouvidos pela AFP e Reuters, a maioria dos 27 Estados-membros votou a favor, embora alguns governos tenham manifestado oposição. Para valer, os votos precisam ser confirmados por escrito até o prazo fixado para Bruxelas.
Com o aval do bloco, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, poderá assinar o tratado na próxima segunda-feira, dia 12, no Paraguai, o que abre a etapa para ratificações e implementações posteriores.
O que muda para o Brasil e para o Mercosul
O Acordo UE-Mercosul amplia o acesso do Brasil e dos demais membros do bloco sul-americano a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, segundo o texto divulgado pelas agências.
Além do agronegócio, o pacto prevê redução ou eliminação gradual de tarifas, e regras comuns para comércio de bens industriais, investimentos e padrões regulatórios, o que pode afetar vários segmentos da indústria brasileira.
Resistência de países e preocupação do setor agrícola
A aprovação ocorreu apesar da oposição da França, da Irlanda e de outros Estados-membros, que temem impactos negativos sobre o setor agrícola e a concorrência com produtos latino-americanos mais baratos.
O presidente francês, Emmanuel Macron, reafirmou que Paris votaria contra, dizendo, “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, em comunicado.
Próximos passos e incertezas
Com a sinalização de aprovação, o caminho está aberto para a assinatura, mas a implementação enfrenta ainda etapas políticas e técnicas, incluindo ratificações nacionais que podem durar meses ou anos.
Produtores europeus cobram salvaguardas e garantias sobre padrões ambientais e sanitários, e a área seguirá como ponto central de debate entre governos, empresários e representantes do setor agrícola.