quinta-feira, junho 4, 2026

Acordo UE-Mercosul aprovado provisoriamente provoca comemoração de governos, protestos de agricultores e debate sobre lítio, comércio e proteção ao campo

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Avanço do Acordo UE-Mercosul reacende disputa entre interesses comerciais, proteção ambiental, segurança alimentar e acesso a matérias-primas estratégicas

A aprovação provisória do Acordo UE-Mercosul nesta sexta-feira, dia 9, provocou reações imediatas e opostas entre governos, empresas, agricultores e ONGs.

Enquanto chanceleres e ministros celebraram o pacto como um ganho estratégico para o comércio europeu, produtores rurais fizeram protestos em várias capitais, temendo perda de preços e concorrência desleal.

No texto e nas declarações oficiais, o acordo é apresentado como ampliação de mercados e garantia de acesso a minerais como o lítio, com medidas de salvaguarda e fundos para mitigar impactos, conforme informação divulgada pelo g1.

Reações divergentes na Europa

Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz qualificou o pacto como um “marco histórico” para a política comercial da União Europeia, e afirmou que o tratado é um sinal de força num cenário global instável.

A Áustria também saudou a formação de uma maioria a favor, com a ministra Beate Meinl-Reisinger dizendo, em tom de comemoração, que “Finalmente, há uma maioria entre os Estados-membros da UE a favor do acordo do Mercosul. Precisamente porque a ordem mundial está mudando drasticamente, a Europa precisa de novos parceiros”.

Por outro lado, ruas e estradas viraram palcos de insatisfação, com protestos de fazendeiros na Polônia, bloqueios com tratores na Bélgica e manifestações em frente à Assembleia Nacional na França.

Pontos centrais do acordo e mecanismos de proteção

Autoridades europeias defendem que o Acordo UE-Mercosul vai além do setor agrícola, reduzindo a dependência econômica de grandes parceiros e ampliando o acesso a matérias-primas, como o lítio, essencial para baterias e a transição energética.

A Comissão Europeia calcula que o pacto eliminará mais de 4 bilhões de euros por ano em impostos sobre exportações do bloco, e permitirá que empresas europeias concorram em mercados públicos do Mercosul nas mesmas condições que fornecedores locais.

Para tentar tranquilizar setores céticos, o texto inclui cláusulas de proteção, como a possibilidade de suspender importações agrícolas sensíveis em caso de desequilíbrio de mercado, limites acionadores de salvaguarda reduzidos de 8% para 5%, reforço de auditorias sanitárias e um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros para apoiar agricultores afetados.

Críticas ambientais e ao impacto sobre a agricultura

Cotistas contrários afirmam que o tratado pode gerar concorrência desleal, porque produtos do Mercosul, especialmente carne bovina, costumam ser produzidos com custos e normas ambientais diferentes dos exigidos na UE.

A ONG Amigos da Terra descreveu o acordo como “devastador para o clima”, alertando que ele pode incentivar o avanço do desmatamento em áreas como a Amazônia ao ampliar a exportação de commodities agrícolas e matérias-primas.

O presidente francês Emmanuel Macron resumiu a preocupação política, afirmando que o tratado é “de outra época” e citou estudos da própria Comissão que indicam que o impacto sobre o PIB da UE seria de apenas 0,05% até 2040, argumento usado para justificar a rejeição francesa.

Próximos passos e o que esperar

Com a aprovação provisória, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, está autorizada a assinar formalmente o acordo na segunda-feira, dia 12, no Paraguai, mas a assinatura não encerra o processo.

O tratado ainda precisará ser ratificado pelos Estados-membros da UE e pelos países do Mercosul, o que significa que o debate político, econômico e social continuará aberto nas próximas semanas e meses.

Nos próximos passos, serão monitoradas a aplicação das salvaguardas, os controles sanitários e a eficácia dos mecanismos de apoio aos agricultores, enquanto ambientalistas e setores rurais mantêm pressão por regras mais rígidas e garantias de proteção territorial.

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