Acordo UE-Mercosul: como a redução de tarifas pode baratear vinhos, carros, medicamentos e insumos, e afetar preços e PIB do Brasil até 2040
Impactos no bolso e na produção, com cortes em tarifas que tendem a baratear vinhos, azeite, carros e equipamentos agrícolas, e ampliar exportações brasileiras
O acordo UE-Mercosul deve tornar mais visíveis produtos tradicionais da União Europeia nas prateleiras brasileiras, e, com isso, reduzir preços ao consumidor ao longo do tempo.
A eliminação gradual de tarifas vai atingir itens do supermercado, veículos importados, e também insumos e tecnologias usados pela indústria e pelo agronegócio.
Ao mesmo tempo, o tratado abre mercados e pode elevar o valor agregado das exportações brasileiras, com efeitos heterogêneos por setor.
conforme informação divulgada pelo g1
O que tende a ficar mais barato para o consumidor
Produtos como vinhos, queijos, azeites, chocolates e algumas bebidas destiladas podem registrar queda de preços nos próximos anos, com maior oferta e tarifas menores, afirma o g1 citando especialistas.
Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Unifesp, afirma que, “A integração em um acordo como esse tende a favorecer sobretudo os consumidores finais, que passam a ter acesso a produtos mais baratos. Isso ocorre dos dois lados”, segundo reportagem do g1.
Carros importados da Europa, por exemplo, hoje enfrentam taxação de 35%, que deverá ser zerada em até 15 anos, o que, na prática, pode reduzir preços, embora o processo seja gradual por causa de cadeias de componentes globais.
Impacto nos custos de produção e na indústria
O acordo também deve baratear máquinas, equipamentos e tecnologias que entram na produção brasileira, o que pode estimular investimentos em modernização e reduzir custos.
Segundo o g1, Leonardo Munhoz, pesquisador do Centro de Bioeconomia da FGV, observa que “Máquinas, equipamentos e tratores, assim como produtos químicos, fertilizantes e implementos agrícolas, além de drones e sistemas de agricultura de precisão, como sensores e telemetria, são importados da Europa e devem ter custos menores para os produtores”.
Essa queda nos custos de insumos vale para a indústria, que pode importar bens manufaturados e tecnologias com tarifas menores, tornando investimentos em atualização mais viáveis.
Exportações e possíveis efeitos sobre preços internos
O tratado deve ampliar vendas brasileiras à UE em setores como calçados e frutas, enquanto alguns mercados europeus terão acesso facilitado a bens de maior valor agregado produzidos no Brasil.
O g1 informa que, no ano passado, as exportações do Brasil para a UE alcançaram US$ 49,8 bilhões, enquanto a União Europeia exportou US$ 50,3 bilhões para o Brasil.
De acordo com o g1, a Apex aponta que o acordo cria uma rede de comércio avaliada em US$ 22 trilhões, com potencial de ampliar as exportações brasileiras em R$ 7 bilhões adicionais.
Algumas tarifas serão zeradas em prazos curtos, por exemplo, calçados produzidos no Mercosul, hoje sujeitos a tarifas de 3% a 7% na UE, devem ter essas taxas zeradas em até quatro anos, e, em alguns casos, como o da uva, a taxação de 14% será eliminada assim que o acordo entrar em vigor.
Rodrigo Provazzi avalia que produtos do agronegócio exportados em maior volume poderiam ter aumento de preços no mercado interno por redução da oferta, porém, segundo o g1, ele considera “improvável que isso afete de forma significativa o bolso dos brasileiros. Os efeitos macroeconômicos sobre a inflação são pequenos e não devem ser relevantes no curto prazo”.
Por fim, estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, citadas pelo g1, indicam que o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo. “Até 2040, a assinatura poderia elevar o Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 0,46%, crescimento superior ao projetado para a União Europeia e para os demais países do Mercosul”, tal como divulgado pelo g1.
Em resumo, o acordo UE-Mercosul tende a trazer mais variedade e preços potencialmente menores em bens de consumo e a reduzir custos de produção, com ganhos condicionados à adaptação da indústria e do agronegócio e à evolução dos prazos de eliminação tarifária.