Como a negociação evoluiu de 1991 a 2026, quais os principais impasses e exigências ambientais, quem resistiu na Europa, e o que falta para a entrada em vigor do acordo UE-Mercosul
A União Europeia aprovou provisoriamente o pacto com o Mercosul, abrindo caminho para a assinatura formal do tratado em 17 de janeiro, segundo a agenda divulgada após a votação.
“Os países da União Europeia aprovaram o acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9).” Essa decisão, contudo, não encerra o processo, porque ainda há etapas de ratificação nos parlamentos nacionais.
“o tratado ainda precisará ser aprovado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos.” Além disso, “o acordo prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral e regras comuns para serviços e compras públicas,” conforme informação divulgada pelo g1
Da criação do Mercosul às primeiras negociações formais
Tudo começou em 1991, com a assinatura do Tratado de Assunção que criou o Mercosul, uma articulação entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai para integrar mercados na América do Sul.
Em 1994, com a proposta da Área de Livre Comércio das Américas atraindo atenção, a União Europeia passou a ver o bloco sul-americano como parceiro estratégico, e em 1995 foi assinado o Acordo-Quadro de Cooperação Inter-regional.
As negociações comerciais começaram oficialmente em 1999, organizadas em três frentes, diálogo político, cooperação e livre comércio, e logo surgiram impasses sobre subsídios agrícolas europeus e abertura industrial no Mercosul.
Crises, pausas e retomadas ao longo de 25 anos
Em 2004 houve um momento crítico, com reclamações do Mercosul sobre o acesso agrícola e da UE sobre a resistência à abertura industrial, o que levou a uma paralisação entre 2004 e 2010.
O diálogo só foi retomado com força em 2016, impulsionado por novas dinâmicas do comércio global, e resultou na definição de capítulos técnicos sobre tarifas, serviços, compras públicas, regras de origem e propriedade intelectual.
Em 2019 Mercosul e União Europeia anunciaram a conclusão técnica do acordo político, prevendo a eliminação gradual de tarifas em cerca de 90% do comércio bilateral, mas críticas ambientais e resistências políticas impediram a ratificação imediata.
Ambiente, críticas e aprovação provisória
Entre 2020 e 2022 a UE exigiu compromissos ambientais mais rigorosos, com foco no combate ao desmatamento e na aplicação do Acordo de Paris, e em 2023 foi apresentado um instrumento ambiental adicional.
O Mercosul aceitou parte das propostas e criticou pontos, como a previsão de sanções unilaterais, e após revisões jurídicas e articulação política o texto foi consolidado em 2024, enfrentando resistência em 2025 de países europeus com agricultura forte, como França, Polônia e Irlanda.
Em 2026 a União Europeia aprovou provisoriamente o acordo, criando a expectativa de formação da maior área de livre comércio do mundo, mas o pacto ainda precisa ser ratificado pelo Congresso Europeu e pelos legislativos dos países sul-americanos para entrar em vigor.
O que muda na prática e próximos passos
O texto prevê a eliminação gradual de tarifas sobre cerca de 90% do comércio bilateral, além de regras comuns para serviços e compras públicas, o que deve reduzir preços de alguns produtos e ampliar o acesso a mercados.
Os próximos passos incluem a assinatura formal prevista para 17 de janeiro, seguida pelas votações e ratificações nacionais, um processo que pode levar meses ou anos, dependendo das controvérsias políticas em cada país.
Enquanto isso, setores econômicos, ambientalistas e governos acompanham a implementação das salvaguardas ambientais e as regras de origem, que serão decisivas para os efeitos práticos do acordo no comércio e nas cadeias produtivas.