Acordo UE-Mercosul será assinado em 17 de janeiro, cria maior zona de livre comércio do mundo, amplia mercado de 451 milhões e enfrenta forte oposição na UE

Acordo UE-Mercosul fecha capítulo após mais de 30 anos de negociações, promete acesso a 451 milhões de consumidores, e enfrenta críticas de agricultores e governos europeus

O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul será assinado em 17 de janeiro, no Paraguai, segundo anúncio feito pelo Ministério das Relações Exteriores da Argentina.

O tratado, fruto de mais de três décadas de negociação, pode criar a maior zona de livre comércio do mundo e ampliar o acesso do Mercosul a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores.

Apesar do avanço, o texto enfrenta resistência de agricultores e de alguns governos europeus, e ainda depende da aprovação final do Parlamento Europeu, conforme informação divulgada pelo g1

Declarações e pontos centrais do acordo

O chanceler argentino Pablo Quirno afirmou, em comunicado do Ministério das Relações Exteriores, “Depois de mais de 30 anos de negociações, assinaremos em 17 de janeiro, no Paraguai, um acordo histórico e o mais ambicioso entre ambos os blocos”.

O acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas, e regras comuns sobre comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios, mudanças que afetam tanto o agronegócio quanto diversos segmentos da indústria brasileira.

Onde há apoio e onde há resistência

A aprovação provisória entre os Estados-membros da UE avançou mesmo com oposição de países como França e Irlanda, e exigiu, para o progresso do texto, o apoio de pelo menos 15 Estados-membros que, juntos, representassem 65% da população do bloco.

O presidente francês Emmanuel Macron reafirmou a posição de Paris, dizendo, “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”, preocupação compartilhada por produtores rurais temerosos da concorrência de produtos latino-americanos.

Em contrapartida, a sinalização da Itália de apoio condicionado foi decisiva para destravar o avanço, com a Comissão Europeia propondo acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores, medida vista como um “passo positivo e significativo” pela primeira-ministra Giorgia Meloni.

Próximos passos até a entrada em vigor e impactos para o Brasil

Com a aprovação dos Estados-membros, a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo em data próxima às cerimônias em janeiro, segundo a comunicação divulgada pelas fontes da UE, e a tramitação ainda passa pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o pacto amplia o acesso a mercados europeus e promete impactos para agronegócio e indústria, ao mesmo tempo em que provoca debates sobre padrões ambientais, concorrência e medidas de compensação para setores vulneráveis.

O acordo segue sendo alvo de protestos e comemorações, e a assinatura marcada para 17 de janeiro coloca o texto em nova fase diplomática, com atenção aos desdobramentos legislativos e às respostas dos setores econômicos afetados.