quinta-feira, junho 4, 2026

Acordo União Europeia e Mercosul terá assinatura em 17 de janeiro no Paraguai, amplia mercado de 451 milhões e reacende debate sobre agricultura

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Assinatura marcada para 17 de janeiro no Paraguai pode criar a maior zona de livre comércio do mundo, com o Acordo União Europeia Mercosul avançando apesar de controvérsias

O acordo comercial entre União Europeia e Mercosul teve nova etapa decisiva nesta semana, com sinal verde de capitais da UE e anúncio de data para assinatura.

O Ministério das Relações Exteriores da Argentina informou que o pacto será assinado em 17 de janeiro, no Paraguai, depois de décadas de negociações.

As informações sobre a aprovação dos Estados-membros e a data de assinatura foram amplamente divulgadas, conforme informação divulgada pelo g1.

O que dizem os governos e as autoridades

O chanceler argentino Pablo Quirno afirmou, em comunicado do Ministério das Relações Exteriores, que, “Depois de mais de 30 anos de negociações, assinaremos em 17 de janeiro, no Paraguai, um acordo histórico e o mais ambicioso entre ambos os blocos”.

Na União Europeia, embaixadores dos 27 Estados-membros sinalizaram aprovação provisória, e o Chipre, que detém a presidência rotativa do bloco, afirmou que a aprovação foi por “ampla maioria dos Estados-membro da UE”.

Com o aval do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o texto numa cerimônia prevista para o Paraguai já no início das próximas semanas, segundo as fontes citadas pelo g1.

Pontos centrais do acordo e efeitos esperados

O texto prevê redução ou eliminação gradual de tarifas, regras comuns sobre comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o pacto amplia o acesso a um mercado estimado em cerca de 451 milhões de consumidores, com impactos que vão além do agronegócio, alcançando diferentes segmentos da indústria.

Setores empresariais apoiam o acordo, que pode baratear produtos europeus no Brasil e aumentar a oferta de bens premium, mas a implementação dependerá da ratificação pelos parlamentos.

Resistências e receios na União Europeia

O acordo enfrenta forte oposição de agricultores europeus, sobretudo na França, que teme concorrência com produtos latino-americanos considerados mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes.

O presidente francês Emmanuel Macron escreveu, em comunicado, que, “Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo UE-Mercosul serão limitados para o crescimento francês e europeu”.

A Irlanda também se posicionou contra, e o primeiro-ministro Simon Harris afirmou, “A posição do governo sobre o Mercosul sempre foi clara: não apoiamos o acordo da forma como foi apresentado”.

Papel da Itália, compensações e próximos passos

A Itália teve papel decisivo ao sinalizar apoio condicionado a garantias para o setor agrícola, e a Comissão Europeia propôs acelerar a liberação de 45 bilhões de euros destinados aos agricultores, movimento visto como hipótese de acomodar preocupações internas.

Mesmo com a aprovação dos Estados-membros, o texto precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu para entrar em vigor, e a assinatura entre os blocos marca o início da etapa política final, não a vigência automática do pacto.

O avanço até a assinatura reabre o debate sobre padrões sanitários, subsídios e salvaguardas, e deve manter governantes e produtores em negociações para definir compensações e cronogramas de abertura.

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