Advogada do Goldman Sachs Kathryn Ruemmler pede demissão após mensagens ligarem-na a Jeffrey Epstein, saída marcada para 30 de junho e investigação do DOJ
Saída de Kathryn Ruemmler reacende polêmica sobre laços com Epstein, mensagens mostram tratamento carinhoso e banco enfrenta forte escrutínio
A principal conselheira jurídica do Goldman Sachs anunciou sua saída nesta semana, em meio a novas revelações sobre suas interações com Jeffrey Epstein.
A decisão da executiva, que será efetiva em 30 de junho de 2026, ocorre após o Departamento de Justiça divulgar mensagens que sugerem proximidade entre as partes.
Em nota, a própria advogada disse ter pedido demissão para evitar que a atenção da mídia se torne uma distração para o banco, conforme informação divulgada pelo g1.
O que mostram as mensagens divulgadas pelo DOJ
As comunicações tornadas públicas pelo Departamento de Justiça revelaram trocas que vão além do contato profissional, com termos afetivos como “querido” e “Tio Jeffrey” em mensagens atribuídas à advogada.
Segundo reportagens citadas pelo g1, a relação foi mantida por anos, inclusive depois da condenação de Epstein em 2008 por aliciar uma menor para fins sexuais.
O teor das mensagens intensificou a investigação e levou a questionamentos sobre o julgamento da executiva enquanto representante jurídica do mercado financeiro.
Reações internas e comunicado do banco
O CEO do Goldman Sachs, David Solomon, afirmou respeitar a decisão da executiva e agradeceu a Ruemmler pela “qualidade de suas orientações jurídicas em temas relevantes” para o grupo.
O banco informou que a saída será efetiva em 30 de junho, e, inicialmente, havia manifestado apoio à advogada antes da nova divulgação de mensagens.
Fontes da imprensa já consideravam a saída praticamente certa após as novas evidências, em um contexto de pressão pública e midiática sobre instituições financeiras ligadas ao caso Epstein.
Trajetória profissional de Ruemmler
A executiva trabalhou no Goldman Sachs desde 2020, atuando como diretora jurídica em temas corporativos e regulatórios.
Antes disso, Ruemmler foi sócia no escritório Latham & Watkins, e ocupou cargos no Departamento de Justiça entre 2009 e 2011, além de ter sido conselheira jurídica na Casa Branca até junho de 2014.
Reportagens também indicaram que ela foi uma das três pessoas que receberam ligações de Epstein após a prisão do ex-financista em julho de 2019, conforme apuração do Wall Street Journal citada pelo g1.
Consequências e próximos passos
A saída de Ruemmler pode levar o Goldman Sachs a revisar seus controles internos sobre conflitos de interesse e relacionamentos pessoais de executivos.
Analistas e veículos de imprensa acompanharão como o banco preencherá a vaga de diretoria jurídica, e se a investigação do DOJ terá desdobramentos adicionais envolvendo pessoas ou práticas da instituição.
O caso traz à tona, mais uma vez, as implicações reputacionais para empresas que se veem associadas a figuras envolvidas em escândalos de abuso sexual e tráfico, e reforça a atenção sobre a conduta de conselheiros e executivos no mercado.