Dados mostram alta dos pedidos de benefício por incapacidade temporária, com dores na coluna liderando e crescimento expressivo de afastamentos por saúde mental
O aumento das licenças vem mudando o perfil dos afastamentos do trabalho no país, com questões físicas e emocionais ganhando destaque.
As dores na coluna seguem predominando, e os transtornos mentais avançam em volume e peso entre os motivos de licença.
Nas linhas a seguir, explicamos as principais causas, como funciona o benefício do INSS e o que estes números revelam para trabalhadores e empresas,
conforme informação divulgada pelo g1
Quantos e por que os afastamentos cresceram
O Brasil registrou cerca de 4 milhões de afastamentos do trabalho por doença em 2025, o maior número dos últimos cinco anos, segundo dados exclusivos obtidos pelo g1 junto ao Ministério da Previdência Social. O volume reforça a tendência de alta nos pedidos de benefício por incapacidade temporária e ajuda a traçar o retrato das principais doenças que têm tirado trabalhadores das atividades.
Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde pela segunda vez em 10 anos, segundo as estatísticas, e os casos de ansiedade e depressão cresceram em relação ao ano anterior, disputando espaço com as causas musculoesqueléticas.
Quais doenças mais afastaram trabalhadores
A dorsalgia (a dor nas costas) foi a principal causa de afastamento de licença, com 237.113 pedidos concedidos. Na sequência aparecem outros transtornos de discos intervertebrais, como a hérnia de disco, responsáveis por 208.727 afastamentos. Esses números mostram a força das lesões da coluna entre os motivos que levam ao benefício.
Como funciona o benefício do INSS
O benefício é concedido pelo INSS quando o segurado precisa se afastar do trabalho por mais de 15 dias e passa por perícia médica. Durante os primeiros 15 dias, o salário é pago pela empresa. A partir do 16º dia, caso a perícia reconheça a incapacidade temporária, o trabalhador passa a receber o valor pago pelo INSS.
Para ter direito, o trabalhador precisa apresentar laudos, atestados e exames médicos que comprovem a condição de saúde. Uma mesma pessoa pode ser afastada mais de uma vez ao longo do ano, em licenças distintas, e cada afastamento é contabilizado separadamente nas estatísticas oficiais.
Impacto para trabalhadores e empresas
O crescimento dos afastamentos do trabalho por problemas na coluna e por transtornos mentais pressiona gestores e sistemas de saúde ocupacional, e exige adaptações nas rotinas, fiscalização e prevenção.
Especialistas ouvidos afirmam que medidas de ergonomia, acompanhamento psicológico, e programas de retorno ao trabalho podem reduzir o número de novas licenças e os efeitos econômicos para empresas e segurados.