Agricultores bloqueiam Paris e pedem veto ao acordo UE-Mercosul, protesto também exige fim de abates por dermatite nodular e pressiona Macron antes da votação
Protestos com tratores e vias bloqueadas em pontos turísticos, agricultores exigem suspensão do acordo UE-Mercosul, medidas para proteger o setor e fim do abate por dermatite nodular
Tratores estacionados e manifestações bloquearam ruas e circularam por pontos emblemáticos de Paris, em um protesto que reuniu agricultores preocupados com o futuro do setor.
Além da rejeição ao tratado comercial, os manifestantes pediram o fim da política de abate de bovinos por uma forma contagiosa de dermatite nodular, e pressaram autoridades por respostas imediatas.
Os atos ocorrem no momento em que a votação sobre o acordo está marcada para a semana e cresce a tensão política na França, conforme informação divulgada pelo g1.
O protesto em Paris
A mobilização reuniu agricultores e tratores em pontos simbólicos da capital, com veículos estacionados em frente ao Arco do Triunfo, e bloqueios que afetaram o tráfego em áreas centrais.
O movimento foi organizado por sindicatos do campo, entre eles a Coordenação Rural, e os manifestantes circularam por locais turísticos para dar visibilidade à campanha contra o acordo UE-Mercosul e às medidas de sanidade animal que consideram injustas.
Pressão política sobre o acordo UE-Mercosul
O acordo tem apoio de países como Alemanha e Espanha, e a Comissão Europeia trabalhou para conquistar também a Itália, cujo aval poderia garantir votos suficientes para aprovar o tratado sem o apoio francês.
Apesar de ter obtido concessões de última hora, a posição final do presidente Macron ainda não é conhecida, e o tema é sensível no cenário interno, com as eleições municipais em março e o avanço da extrema direita nas pesquisas para 2027.
A porta-voz do governo, Maud Brégeon, afirmou, “Este tratado ainda não é aceitável”, posicionamento que revela a dificuldade de fechamento de uma posição definitiva sobre o texto.
Sobre a estratégia para conquistar o setor agropecuário, o bloco europeu sinalizou que vai reduzir tarifas de fertilizantes para obter apoio, mostrando tentativas de concessões econômicas para aliviar resistências.
A ministra francesa da Agricultura, Annie Genevard, afirmou na quarta-feira que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor.
Próximos passos e cenário para a votação
A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9), e o resultado dependerá do alinhamento entre capitais nacionais e das negociações finais entre os membros da União Europeia.
Se a Itália confirmar apoio, a Comissão considerará ter votos suficientes, o que reduziria o impacto da oposição francesa, mas ainda manteria em aberto a batalha parlamentar e reação de setores como o agro.
Enquanto isso, os agricultores dizem que manterão a pressão nas ruas até obter garantias concretas sobre proteção da produção, mudanças nas regras sanitárias e medidas compensatórias, mantendo o acordo UE-Mercosul no centro do debate público e político.