Agricultores bloqueiam ruas de Paris contra acordo UE-Mercosul, exigem fim de abates por dermatite nodular e ampliam pressão política sobre Macron

Manifestantes ocupam vias centrais de Paris e pedem revisão do acordo UE-Mercosul, com foco no fim da política de abate por dermatite nodular e concessões ao setor

Tratores pararam em frente a monumentos e vias da capital francesa em uma série de atos organizados por sindicatos rurais.

Os agricultores exigem medidas imediatas contra o abate de bovinos por uma forma contagiosa de dermatite nodular e protestam contra condições do acordo comercial.

As ações nas ruas ocorrem em um momento em que a aprovação do pacto pela União Europeia está perto de votação, conforme informação divulgada pelo g1.

Motivos do protesto

Os manifestantes afirmam que o acordo UE-Mercosul pressiona produtores locais, ao abrir mercados a produtos concorrentes com custos mais baixos.

Além da pauta comercial, o grupo pede o fim da política de abate de bovinos por causa da dermatite nodular, doença contagiosa que motivou medidas sanitárias severas.

Segundo relatos, os atos incluíram bloqueios de vias e circulações por pontos emblemáticos da cidade, com tratores estacionados em locais simbólicos.

Reação do governo francês e frases-chave

A posição nacional é tensa e politicamente sensível, diante das eleições municipais e do avanço da extrema direita nas pesquisas.

A porta-voz do governo, Maud Brégeon, declarou, “Este tratado ainda não é aceitável”, frase que reforça a cautela oficial sobre o acordo.

A ministra da Agricultura, Annie Genevard, afirmou na quarta-feira que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor.

Contexto europeu e o prazo de votação

Pais como Alemanha e Espanha apoiam o texto, e a Comissão Europeia diz ter avançado para buscar o aval da Itália, o que poderia garantir votos suficientes para aprovar o acordo.

A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9).

Para conquistar apoio do setor agrícola, a UE anunciou concessões, incluindo medidas como redução de tarifas de fertilizantes, em tentativa de acalmar produtores preocupados com impacto econômico.

Possíveis desdobramentos

Se a aprovação ocorrer na votação, o tema seguirá ao Parlamento Europeu, onde a França já anunciou que continuará a contestar o texto, mantendo a disputa política em aberto.

Na França, os protestos podem se intensificar e virar tema das campanhas municipais, enquanto o setor agrícola tenta transformar mobilização de rua em alavanca de negociação.

Em meio à tensão, a combinação de mobilização nas ruas e decisões institucionais nos próximos dias deve definir o rumo do acordo UE-Mercosul e seus efeitos sobre o campo europeu.