Agricultores franceses bloqueiam Paris contra acordo UE-Mercosul, exigem fim de abate por dermatite nodular e pressionam voto da UE antes de sexta-feira
Protesto em Paris intensifica debate sobre o acordo UE-Mercosul, com concessões do bloco, apoio de Alemanha e Espanha, incerteza sobre posição de Macron e votação prevista para sexta-feira
Manifestantes ligados ao campo bloquearam ruas e circularam por pontos emblemáticos de Paris em protesto contra o acordo UE-Mercosul, e também pediram o fim da política de abate de bovinos infectados pela dermatite nodular.
Tratores foram estacionados em frente ao Arco do Triunfo, em ação organizada pelo sindicato Coordenação Rural, em uma demonstração que misturou pressão nas ruas e preocupação com a competitividade no setor agrícola.
As ações ocorrem em meio a negociações e concessões anunciadas pela União Europeia, com votação esperada para sexta-feira, conforme informação divulgada pelo g1
O protesto em Paris
Produtores bloquearam vias centrais e circularam por pontos turísticos para chamar atenção para as exigências do setor, entre elas o fim do abate por dermatite nodular, uma doença bovina contagiosa que afeta produtores e mercados.
Em imagens divulgadas, foram vistos tratores em frente ao Arco do Triunfo, como parte da mobilização do sindicato agrícola francês Coordenação Rural, demonstrando a escala do protesto na capital.
Concessões da União Europeia e reação francesa
A União Europeia anunciou medidas para conquistar o apoio do agro ao acordo UE-Mercosul, como a promessa de reduzir tarifas de fertilizantes, e avançou negociações após sinais de apoio de países como Itália, Alemanha e Espanha.
A França, historicamente contrária ao tratado, obteve concessões de última hora, mas a posição final do presidente Macron ainda não está clara. A porta-voz do governo, Maud Brégeon, afirmou, “Este tratado ainda não é aceitável”.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, declarou que, mesmo que os países da UE apoiem o texto, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor.
Implicações políticas e próximos passos
O tema é sensível para o governo francês, em um momento de eleições municipais e de alta da extrema direita nas pesquisas, antes da sucessão presidencial de 2027, o que aumenta a pressão sobre decisões delicadas como a do acordo UE-Mercosul.
Com a Itália sinalizando apoio, o bloco pode reunir votos suficientes para aprovar o tratado com ou sem o apoio da França. A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9), e será um momento-chave para definir o futuro do pacto.