Protestos pedem rejeição do acordo UE-Mercosul e o fim de abates por dermatite nodular, enquanto Bruxelas busca apoios e votação é esperada para sexta, 9
Manifestantes do setor agrícola bloquearam vias e circularam por pontos simbólicos de Paris, incluindo a colocação de tratores em frente de monumentos conhecidos na capital francesa.
Os agricultores exigem que a União Europeia recue no entendimento com o Mercosul e também pedem o fim da política de abate de bovinos diante de um surto de dermatite nodular, doença contagiosa que preocupa o setor.
O ato ocorreu em meio a negociações intensas na UE, e a situação política em Paris está tensa, com dúvidas sobre o posicionamento final do presidente Macron, conforme informação divulgada pelo g1.
O protesto nas ruas de Paris
Os manifestantes bloquearam ruas e passaram por pontos emblemáticos da cidade, com tratores estacionados em frente ao Arco do Triunfo durante uma manifestação do sindicato agrícola francês Coordenação Rural, Foto: Thomas Samson/AFP.
Além do protesto contra o acordo UE-Mercosul, a mobilização cobrou medidas imediatas sobre a dermatite nodular e criticou políticas que consideram prejudiciais à produção nacional.
Pressão política e incerteza francesa
A França já se posicionou historicamente contra o pacto, e apesar de concessões de última hora obtidas por Paris, a posição final do presidente ainda não está definida.
A porta-voz do governo, Maud Brégeon, disse, “Este tratado ainda não é aceitável”, e ela se recusou a afirmar se Macron votará a favor, contra ou se irá se abster, conforme reportagem do g1.
A ministra da Agricultura, Annie Genevard, afirmou na quarta-feira que, mesmo que os países da UE apoiem o acordo, a França continuará a combatê-lo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária para que o tratado entre em vigor, conforme informação divulgada pelo g1.
O esforço da União Europeia para obter apoio
Bruxelas tem tentado conquistar o apoio do setor agropecuário para o acordo UE-Mercosul, oferecendo benefícios como a redução de tarifas sobre fertilizantes, medidas apresentadas para reduzir a resistência de produtores europeus.
Países como Alemanha e Espanha apoiam o pacto, e a Comissão Europeia buscou nos últimos dias o aval da Itália, cujo apoio facilitaria a aprovação dentro do Conselho da UE.
Próximos passos e calendário
A votação sobre o acordo é esperada para sexta-feira (9), e o resultado dependerá dos apoios nacionais e da tramitação no Parlamento Europeu, se necessário para a entrada em vigor do tratado.
Enquanto isso, a mobilização nas ruas de Paris sinaliza que o tema continuará sensível politicamente, com impacto nas discussões eleitorais e na imagem do governo durante o período pré-eleitoral.