Ailton Aquino, do BC, diz que governança do BRB deveria ter identificado problemas nos créditos do Master, vídeos e acareação aprofundam investigação

O depoimento do diretor do Banco Central reforça questionamentos sobre a governança do BRB na compra de carteiras do Master, e revela pontos centrais das apurações da Polícia Federal

O diretor do Banco Central, Ailton Aquino, afirmou que a governança do BRB deveria ter identificado problemas nos créditos adquiridos do Banco Master, e que técnicas adequadas permitiriam confirmar a existência dos ativos.

O relato integra investigações da Polícia Federal sobre operações que envolvem o Master e o BRB, incluindo compra de carteiras que, segundo a apuração, chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco público.

Os vídeos do depoimento e a acareação entre responsáveis foram tornados públicos nesta etapa do processo, conforme informação divulgada pelo g1.

O que disse o diretor do BC

Ailton Aquino afirmou que foi possível, por meio de análise, verificar se os créditos realmente existiam, e criticou a condução do banco na operação. Em suas palavras, “Tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso. Aplicando-se técnicas é possível identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB”, afirmou.

Além disso, o diretor ressaltou que a supervisão do Banco Central buscou esclarecimentos formais, e que houve questionamentos repetidos ao BRB, demonstrando preocupação regulatória sobre a origem e a geração dos papéis.

Segundo o depoimento, “O time da supervisão inquiriu muito o BRB em vários ofícios, acerca da geração dos créditos”, disse Ailton Aquino.

A acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do BRB

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, tornou públicos vídeos que mostram divergência entre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Vorcaro afirmou que informou ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros, e não pelo próprio Master, e disse não ter conhecimento, à época, de que os papéis vendidos eram da empresa Tirreno.

Paulo Henrique, por sua vez, afirmou que a informação recebida pelo banco era de que os créditos haviam sido originalmente originados pelo Master, e que o entendimento interno era diferente do que Vorcaro relatou na acareação.

O alcance da investigação e possíveis irregularidades

A Polícia Federal apura se houve omissão de gestores do BRB e falhas nos métodos de prudência e governança na aquisição das carteiras. A investigação aponta que o Master teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem realizar pagamento, e, posteriormente, revendido esses ativos ao BRB por cerca de R$ 12 bilhões, sem que eles valessem esse montante.

As apurações buscam estabelecer responsabilidades na decisão de compra, a qualidade das análises realizadas pelo banco público e se houve falha de controles que permitiram a entrada de ativos questionáveis no balanço do BRB.

O que vem a seguir

Com base nos depoimentos e nas diligências, autoridades podem aprofundar pedidos de documentos, novos esclarecimentos e eventuais medidas judiciais ou administrativas. Para o mercado e para correntistas, a atenção agora é sobre como a governança do BRB será reforçada, e quais lições serão adotadas para evitar repetição de falhas em operações de compra de carteiras.