Alambiques de Vera Cruz e Ourinhos mantêm a cachaça artesanal viva, da garapa ao envelhecimento premiado, revelando técnicas, madeiras e prêmios internacionais

Do ajuste da garapa para 14% a 16% de açúcar até os 24 a 28 horas de fermentação e a destilação em cabeça, coração e cauda, entenda a cachaça artesanal na prática

A produção artesanal de cachaça começa no campo, com a colheita da cana, passa pela moagem, e depende de decisões manuais para garantir sabor e qualidade.

Em alambiques do interior de São Paulo, mestres e pequenos produtores preservam processos tradicionais, conciliando paciência e técnica para obter a cachaça artesanal que chega ao consumidor.

O trabalho envolve ajuste de garapa, fermentação, destilação e envelhecimento em diferentes madeiras, com atenção a cada etapa para separar a parte nobre, o coração.

conforme informação divulgada pelo g1

Do corte da cana ao mosto, o ajuste da garapa

A cana é lavada e moída para obter a garapa, o caldo inicial. Como explica Avelino dos Santos Modelli, proprietário de um alambique em Vera Cruz, “A garapa vem com o teor de açúcar um pouco mais alto. Aqui na sala de destilação, vamos abaixar o teor de açúcar para entre 14% e 16%, que é o ideal para o fermento trabalhar”.

Após esse ajuste adiciona-se fermento para iniciar a fermentação, processo em que o açúcar é transformado em álcool. O mosto nasce quando o fermento elimina o açúcar residual, e dessa fase depende a qualidade final da cachaça artesanal.

Fermentação, destilação e separação das tiragens

A fermentação é lenta e sensível à temperatura, “Só a fermentação leva de 24 a 28 horas, dependendo da temperatura.” Depois, o caldo é bombeado para o alambique de cobre, e “são mais duas horas em temperatura entre 90°C e 95°C, até passar pela serpentina de resfriamento.”

A destilação é feita em etapas bem definidas, com a separação em cachaça de cabeça, cachaça coração e cachaça cauda, ou rabo. O produtor guarda apenas o coração, a fração considerada de melhor qualidade.

Madeiras, envelhecimento e os sabores da tradição

Após a destilação, a cachaça coração vai para tonéis de diferentes madeiras. Os alambiques citados usam carvalho, amburana, jequitibá rosa e amendoim, inclusive tonéis com blend de jequitibá rosa e amendoim, para obter perfis aromáticos variados.

O tempo de descanso em barril modifica cor e paladar, e produtores selecionam a madeira conforme o estilo desejado, preservando práticas artesanais que valorizam a cachaça artesanal regional.

Premiações e reconhecimento, do hobby ao prêmio internacional

No Sítio Engenho Velho, em Ourinhos, o engenheiro agrônomo Álvaro Peixoto transformou um hobby em produção premiada. A cachaça do sítio passou de consumo entre amigos a reconhecimento técnico.

No concurso Cachaça SP, da câmara setorial, a cachaça premium do sítio ganhou ouro. Em competição no exterior, “a cachaça envelhecida 36 meses no carvalho ganhou prata” no Chile, mostrando que a tradição local pode alcançar prêmios internacionais.

Esses resultados ilustram como o cuidado em cada etapa, do controle do teor de açúcar às tiragens e ao envelhecimento em madeira, mantém viva a tradição da cachaça artesanal e coloca pequenos alambiques do interior de São Paulo no mapa da qualidade.