Círculo Íntimo de Maduro Sob Fogo Americano: Conheça os Aliados-Chave na Venezuela
O governo de Nicolás Maduro na Venezuela, já sob intensa crise de legitimidade, encontra-se em uma nova frente de pressão com o foco do presidente americano Donald Trump em seus aliados mais próximos. Figuras que compõem o círculo de poder de Maduro, e que são consideradas essenciais para sua permanência, estão agora na mira das sanções dos Estados Unidos.
Esses dirigentes, alguns com mais de uma década ocupando posições estratégicas, não são meros assessores, mas sim tomadores de decisão que moldam as políticas do país. A BBC detalha quem são essas personalidades influentes e os motivos que as colocam sob os holofotes internacionais.
Conforme informações divulgadas pelo G1, as sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia visam desestabilizar o governo venezuelano, enquanto a cúpula de Maduro denuncia uma tentativa de intervenção.
Cilia Flores: A “Primeira-Combatente” e Sua Influência Política
Apelidada de “primeira-combatente” por Maduro, Cilia Flores construiu uma carreira política própria, distanciando-se do papel tradicional de primeira-dama. Advogada, ela iniciou sua trajetória política ao defender os militares envolvidos no golpe de 1992, onde conheceu Maduro. Flores ocupou cargos de destaque, como deputada e presidente da Assembleia Nacional, além de Procuradora-Geral da República.
Em 2018, Flores foi alvo de sanções do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (OFAC). Diversos familiares seus, incluindo seus filhos e sobrinho Carlos Erik Malpica Flores, também foram sancionados sob a alegação de facilitar o acesso de empresários a contratos governamentais mediante suborno. Malpica Flores, que ocupou cargos financeiros importantes, teve as sanções levantadas em 2022. Dois sobrinhos de Flores foram condenados por narcotráfico nos EUA, mas foram libertados em 2022 em troca de americanos presos na Venezuela.
Apesar de ter adotado uma postura mais pública de primeira-dama, muitos a consideram o verdadeiro poder por trás da presidência, com autonomia em suas decisões políticas.
Diosdado Cabello: O “Número 2” do Chavismo e Suas Conexões Militares
Considerado o “número 2” do chavismo desde que Hugo Chávez o nomeou ao seu lado em 2012, Diosdado Cabello é uma figura central no partido governista PSUV. Sua trajetória inclui participação no golpe de 1992 e uma carreira política repleta de cargos importantes, como ministro do Interior e Justiça, governador e presidente da Assembleia Nacional Constituinte.
Cabello, que se declara socialista, é visto por alguns analistas como mais alinhado ao “nacionalismo militar”. Apesar de especulações sobre rivalidade com Maduro, ele se declara leal, afirmando serem “filhos de Chávez”. Sua influência nos quartéis é notável, embora alguns apontem uma diminuição em sua influência recente devido à aposentadoria de oficiais de sua geração.
O Departamento do Tesouro dos EUA sancionou Cabello em 2018, acusando-o de envolvimento em tráfico de drogas e corrupção. Em 2020, os EUA ofereceram uma recompensa por informações que levassem à sua prisão, ligando-o ao “Cartel dos Sóis”. Cabello rejeita veementemente as acusações.
Vladimir Padrino: O Ministro da Defesa de Longa Data e Guardião das Forças Armadas
Vladimir Padrino López quebrou a tradição de rápida substituição de ministros da Defesa ao permanecer no cargo desde outubro de 2014. Sua lealdade e habilidade em gerenciar os grupos de poder dentro das Forças Armadas foram cruciais para sua longevidade. Padrino foi peça fundamental ao não apoiar o golpe de 2002 contra Chávez.
Ele se descreve como “soldado bolivariano, decidido e convencido a seguir construindo a pátria socialista”. Sob sua gestão, os militares venezuelanos ganharam maior participação em áreas de segurança e no governo, com mais de um terço do gabinete sendo composto por militares. Empresas estatais e o controle de recursos naturais, como o petróleo e o Arco Mineiro, foram concedidos às Forças Armadas.
Analistas como Nícmer Evans afirmam que “as Forças Armadas, hoje, são Padrino López. E Padrino López é Maduro”, ressaltando a profunda ligação entre o ministro e o presidente.
Jorge e Delcy Rodríguez: Os Estrategistas e Operacionais do Governo
Os irmãos Jorge e Delcy Rodríguez são pilares na articulação política e operacional do governo Maduro. Jorge Rodríguez, médico psiquiatra, ganhou notoriedade como reitor do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) em 2003, onde desempenhou um papel crucial na organização do plebiscito contra Chávez, atuando para adiar e dificultar a votação.
Ele ocupou cargos como vice-presidente executivo, prefeito de Caracas e ministro das Comunicações, sendo atualmente presidente da Assembleia Nacional. Jorge é considerado o estrategista eleitoral do chavismo e, para alguns, um possível sucessor de Maduro. Ele e sua irmã compartilham raízes políticas ligadas à Liga Socialista, movimento fundado por seu pai, Jorge Antonio Rodríguez.
Delcy Rodríguez, advogada, acumula as funções de vice-presidente executiva e ministra do Petróleo. Ela ocupou diversos ministérios, incluindo Relações Exteriores, e foi a primeira presidente da Assembleia Nacional Constituinte. Internacionalmente, protagonizou incidentes diplomáticos, como o “Delcygate” na Espanha. Ela, assim como seu irmão Jorge, foi alvo de sanções dos EUA e da União Europeia, denunciando as medidas como “extorsão”. Nícmer Evans descreve Delcy como “mais operacional” que seu irmão Jorge, formando uma dupla eficaz na gestão do governo.