Aporte anunciado pela Amazon eleva em cerca de 50% os gastos previstos para 2026, alimenta comparações com anos 2000 e aumenta incertezas sobre prazo e retorno dos investimentos em IA
A notícia do investimento bilionário fez com que as ações da Amazon recuassem cerca de 9% em pregões recentes, em uma reação que mostra preocupação dos investidores com o ritmo dos gastos em inteligência artificial.
O anúncio coloca a Amazon ao lado de outras gigantes de tecnologia que projetam forte aumento de despesas em 2025, em um movimento que já vinha sendo esperado pelo mercado, mas cuja dimensão surpreendeu analistas.
Nos próximos parágrafos, explicamos por que o volume dos aportes reacendeu dúvidas, como isso se compara ao passado e qual a defesa dos executivos da empresa, conforme informação divulgada pelo g1
Reação do mercado e números imediatos
Analistas ouvidos pela Reuters afirmaram que, apesar de o aumento dos investimentos já ser esperado, o tamanho do avanço ficou acima do consenso do mercado, com a Amazon projetando um crescimento de cerca de 50% nos aportes.
O anúncio veio em um ambiente de maior instabilidade, em que também houve quedas nas ações da Microsoft e da Alphabet após divulgação de resultados recentes.
Segundo relatórios do mercado, juntas as grandes empresas devem direcionar mais de US$ 630 bilhões para data centers e chips voltados à inteligência artificial, um patamar inédito de investimentos no setor.
Se a queda se mantiver, a Amazon pode perder cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado, e a companhia negocia atualmente com um múltiplo preço/lucro de 27,01, acima do registrado pela Microsoft, de 21,62, e próximo ao da Alphabet, de 28,36.
Comparação histórica e riscos apontados
O movimento reacendeu comparações com o início dos anos 2000, quando empresas de tecnologia investiram pesadamente na infraestrutura que ajudou a construir a internet moderna, mas nem sempre conseguiram retorno proporcional ao volume de recursos empregados.
Desde 28 de janeiro, o índice de software e serviços do S&P 500 perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, mostrando que as expectativas com a IA têm colocado pressão sobre valuations de todo o setor.
Para Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, “É mais fácil decepcionar do que muitos imaginam nesse momento do mercado”, frase que ilustra a sensibilidade das ações a resultados e notícias sobre gastos.
Defesa da Amazon e avaliação de analistas
Executivos seguem defendendo os investimentos, com a aposta de que os ganhos com a inteligência artificial irão superar os custos dessa corrida tecnológica.
Na teleconferência após o balanço, o presidente-executivo da Amazon, Andy Jassy, destacou o crescimento de 24% da receita da Amazon Web Services, lembrando que a base da AWS é maior do que a dos concorrentes, o que torna mais difícil manter taxas elevadas de crescimento.
O desempenho da AWS ficou abaixo do avanço registrado pelo Google Cloud, de 48%, e pelo Azure, da Microsoft, de 39%, números que servem de comparação para investidores e analistas.
Parte dos analistas concorda com a defesa de Jassy, mas ressalta que o volume de investimentos reduz a margem para erros. Como apontou a consultoria MoffettNathanson, “Não acreditamos que eles estariam gastando US$ 200 bilhões no ano fiscal de 2026 sem indícios suficientes de demanda, mas a margem de erro está diminuindo”.
O que observar adiante
Nos próximos trimestres, o mercado vai monitorar sinais de demanda por infraestrutura de IA, a velocidade com que os novos ativos começam a gerar receita e a evolução das margens operacionais.
A leitura de analistas e investidores deverá levar em conta não só os níveis absolutos de gastos, mas também a capacidade das empresas de converter esses investimentos em produtos, serviços e receita recorrente.
Enquanto isso, a reação das ações mostra que a corrida por IA vem acompanhada de dúvidas sobre o tempo necessário para que retornos se materializem, e que pequenas frustrações podem pesar mais num cenário onde as expectativas já estão elevadas.