Amazon investe US$ 200 bilhões em IA, empresa projeta expansão de 50% nos aportes em 2026, movimento surpreende analistas e provoca queda nos papéis
A decisão da Amazon de destinar recursos massivos para inteligência artificial desencadeou uma forte reação no mercado, com as ações da empresa caindo cerca de 9% após o anúncio.
Investidores expressaram dúvidas sobre quanto tempo levará para que o grande volume de gastos se transforme em resultados financeiros concretos, elevando a volatilidade em papéis de tecnologia.
Os detalhes e as reações foram reportados em matérias sobre o tema, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o mercado reagiu com queda
Analistas ouvidos pela Reuters disseram que, embora um aumento nos gastos já fosse esperado, a dimensão do plano surpreendeu, porque a Amazon projeta um crescimento de cerca de 50% nos aportes.
O anúncio colocou a Amazon ao lado de outras gigantes que devem, juntas, direcionar mais de US$ 630 bilhões para data centers e chips voltados à inteligência artificial, um patamar inédito de investimentos no setor, segundo reportagens.
Com os investimentos crescendo mais rápido que as vendas, investidores temem que a margem para erro da companhia diminua, aumentando o risco de resultados abaixo do esperado.
Comparações com investimentos dos anos 2000
O movimento reacendeu comparações com o início dos anos 2000, quando empresas de tecnologia investiram pesadamente em infraestrutura para a internet moderna, sem retorno proporcional imediato.
Desde 28 de janeiro, o índice de software e serviços do S&P 500 perdeu cerca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, mostrando como expectativas em torno da IA têm gerado turbulência mais ampla no setor.
Se a queda se mantiver, a Amazon pode perder cerca de US$ 200 bilhões em valor de mercado, segundo estimativas citadas nas reportagens.
Defesa dos executivos e sinais operacionais
Executivos da Amazon mantiveram a defesa dos gastos, argumentando que os ganhos com a inteligência artificial superarão os custos da corrida tecnológica.
Na teleconferência após o balanço, o presidente-executivo, Andy Jassy, destacou o crescimento de 24% da receita da Amazon Web Services, lembrando que a base maior da AWS torna mais difícil manter taxas elevadas de crescimento, em comparação com o Google Cloud, 48%, e o Azure, 39%.
Parte dos analistas concorda com a visão de longo prazo, mas alerta que o volume de investimentos reduz a margem para erros. Como disse a MoffettNathanson, “Não acreditamos que eles estariam gastando US$ 200 bilhões no ano fiscal de 2026 sem indícios suficientes de demanda, mas a margem de erro está diminuindo”.
O que dizem os analistas sobre o futuro
Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, avaliou que o movimento reflete uma saída de investidores de ações em que as boas surpresas se tornaram mais difíceis, afirmando, “É mais fácil decepcionar do que muitos imaginam nesse momento do mercado”.
Analistas destacam também que a Amazon negocia com múltiplo preço/lucro de 27,01, acima do da Microsoft, 21,62, e próximo ao da Alphabet, 28,36, o que amplia a sensibilidade do papel a notícias sobre gastos e lucro.
Para investidores, a chave será observar sinais de demanda por serviços de IA, a eficiência no uso dos novos data centers e como os investimentos se traduzem em receita e margem ao longo dos próximos trimestres.