Antecipe os cortes de juros, ajuste sua carteira e aproveite oportunidades em prefixados e IPCA+ com Selic projetada a 12,25% neste ano pelo mercado
Passo a passo para rebalancear ativos de renda fixa antes do ciclo de cortes de juros, combinando títulos prefixados, atrelados ao IPCA e pós-fixados para reduzir risco e ganhar rendimento
O Banco Central deve iniciar um ciclo de queda de juros ainda no primeiro trimestre, criando uma janela para revisar carteiras de renda fixa.
Investidores podem aproveitar essa fase para ajustar a mistura de indexadores, priorizando ativos que historicamente se valorizam antes e durante cortes, sem abrir mão da liquidez da reserva de emergência.
As recomendações ajudam a montar uma estratégia que equilibre retorno e volatilidade, com atenção a prazos e objetivos pessoais, conforme informação divulgada pelo g1.
Por que o Banco Central está mais cauteloso
Segundo o levantamento citado pelo g1, atualmente a taxa básica de juros está em 15% ao ano, e a principal projeção de mercado é que a reunião do Copom desta semana ainda mantenha os juros inalterados, com sete em cada dez bancos estimando uma redução apenas em março, conforme dados divulgados pela Febraban.
Entre os fatores que explicam a postura cautelosa do BC estão incertezas geopolíticas, como as tensões no Oriente Médio, e riscos fiscais ligados ao Brasil, além de episódios internacionais que podem afetar preços de commodities e inflação.
A somatória desses fatores não impede a expectativa de queda, e a estimativa é que a Selic encerre o ano em 12,25% ao ano, ou seja, com uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao atual patamar, segundo projeções de mercado mencionadas pelo g1.
Quais ativos podem se beneficiar dos cortes de juros
Estudo da XP Investimentos apontado pelo g1 mostra que ciclos de queda de juros tendem a favorecer títulos prefixados e os indexados à inflação, conhecidos como IPCA+. Esses ativos costumam superar o desempenho do CDI nos meses que antecedem e no primeiro ano após o início dos cortes.
O estudo revelou que, em ciclos desde 2005, o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período.
O relatório também mostra estimativas de valorização mensal adicionais, indicando que, para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, títulos atrelados à inflação de curto prazo podem ter uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50%.
Na análise da XP foram considerados índices como o IMA-B 5, que acompanha títulos atrelados à inflação com vencimento de até cinco anos, e o IRF-M, que segue títulos prefixados.
Como montar e proteger sua carteira antes dos cortes
Especialistas ouvidos pelo g1 recomendam primeiro definir horizonte e objetivos, separando metas de curto, médio e longo prazo, e só então distribuir ativos por classe e indexador. O planejador financeiro Carlos Castro, da Planejar, destaca essa sequência como a base para qualquer estratégia.
A estrategista da XP, Rachel de Sá, alerta que “O cenário global desse ano começou um pouco conturbado, e algumas dessas questões podem afetar a avaliação de risco por parte do BC”, frase usada para explicar o contexto que exige cautela na hora de rebalancear.
Rafael Winalda, especialista de renda fixa do Inter, lembra que quem investe em títulos longos deve alinhar o horizonte ao prazo dos papéis para evitar perdas por marcação a mercado. Marcação a mercado é o valor atualizado do investimento como se ele fosse vendido naquele dia.
Na prática, isso significa separar recursos da reserva de emergência em ativos líquidos e conservadores, aplicar em títulos longos apenas o que não será preciso no curto e médio prazos, e diversificar vencimentos para não concentrar risco em um único prazo ou indexador.
Estratégia de alocação sugerida
Uma abordagem recomendada é rebalancear o mix de indexadores, combinando prefixados, IPCA+ e pós-fixados, sem abandonar totalmente o CDI, que oferece menor volatilidade caso o ciclo de cortes seja mais curto.
Para investidores conservadores, priorizar curto prazo e pós-fixados ajuda a manter liquidez. Quem tem horizonte mais longo pode aumentar gradualmente a exposição a prefixados e IPCA+ de prazos compatíveis com seus objetivos.
Ao revisar a carteira, avalie custos, prazos, e a necessidade de liquidez, e mantenha uma parcela em ativos que protejam contra inflação, especialmente se o horizonte for superior a cinco anos.
Seguindo essas medidas, investidores podem se posicionar para capturar ganhos em um cenário de cortes de juros, ao mesmo tempo em que preservam a capacidade de enfrentar imprevistos e riscos de mercado.