Antecipe os cortes de juros e prepare sua carteira de investimentos, entenda por que títulos prefixados e IPCA+ podem render mais com a queda da Selic
Estratégias práticas para antecipar os cortes de juros, reorganizar prazos e escolher ativos de renda fixa que podem se valorizar antes e durante a redução da Selic
O movimento de queda da taxa básica de juros cria uma janela para que investidores revisem a composição de renda fixa da carteira, mirando maior retorno sem abrir mão da gestão de risco.
Montar uma carteira preparada para cortes envolve combinar ativos com indexadores diferentes, ajustar vencimentos e garantir liquidez para evitar vendas forçadas em momentos de volatilidade.
Nas linhas seguintes explicamos quais ativos tendem a se beneficiar, os sinais que indicam o início do ciclo e orientações práticas para reequilibrar suas aplicações.
conforme informação divulgada pelo g1
Por que prefixados e títulos atrelados à inflação podem valorizar mais
Atualmente, a taxa básica de juros está em 15% ao ano. Quando a Selic começa a cair, títulos com juros fixos antecipam a nova curva de taxas, aumentando seu preço no mercado.
Um estudo da XP, citado pelo g1, mostra que, historicamente, períodos de queda de juros foram favoráveis a prefixados e a títulos indexados à inflação, o que faz desses ativos uma opção para quem quer se posicionar antes do ciclo.
O relatório analisou ciclos de queda desde 2005 e apontou que o retorno médio do índice de prefixados (IRF-M) foi de 13,3% no primeiro ano após o início do ciclo de cortes, enquanto o do CDI (IMA-S) foi de 10,7% no mesmo período. Esses números mostram o potencial relativo desses indexadores frente ao CDI.
Além disso, a pesquisa indica que para cada 1 ponto percentual de queda na Selic, a estimativa é que os títulos atrelados à inflação de curto prazo tenham uma valorização adicional média de 0,40%, enquanto prefixados podem subir 0,50% no mesmo mês. No estudo foram considerados o índice IMA-B 5, que acompanha títulos atrelados à inflação com vencimento de até 5 anos, e o IRF-M, que mede prefixados.
Quadro macro e sinais de início do ciclo de cortes
Entre os fatores que tornam o BC mais cauteloso estão incertezas geopolíticas e riscos fiscais. Como observa a estrategista da XP, Rachel de Sá, “O cenário global desse ano começou um pouco conturbado, e algumas dessas questões podem afetar a avaliação de risco por parte do BC”.
As tensões no Oriente Médio e possíveis movimentos sobre preços do petróleo podem pressionar a inflação, e debates sobre políticas fiscais no Brasil, em ano eleitoral, também mantêm o Copom vigilante.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos, a expectativa é que a reunião desta semana mantenha os juros inalterados, com sete em cada dez bancos estimando uma redução apenas em março, e a projeção de mercado é de que a Selic encerre o ano em 12,25% ao ano, ou seja, com uma redução de 2,75 pontos percentuais em relação ao atual patamar.
Como montar e rebalancear sua carteira, com foco em prazos e liquidez
O planejador financeiro Carlos Castro recomenda começar definindo horizonte e objetivos, separando curto, médio e longo prazo, para decidir o perfil de risco e a divisão entre renda fixa, renda variável, multimercados e alternativos.
Com o horizonte claro, escolha produtos para cada classe e ajuste vencimentos, evitando concentração em prazos longos sem garantia de manter o dinheiro até o vencimento. O especialista de renda fixa do Inter, Rafael Winalda, alerta que “O erro mais comum é não alinhar o horizonte do investimento à necessidade de liquidez”.
Reserve ativos líquidos e conservadores para a emergência, aplique em títulos longos apenas recursos que não serão necessários no curto e diversifique vencimentos para reduzir risco de marcação a mercado.
Estratégia prática, passo a passo
Primeiro, revise o prazo dos seus investimentos e identifique quanto pode ficar aplicado até o vencimento. Segundo, aumente gradualmente a alocação em prefixados e em IPCA+ curtos e médios, pois historicamente eles tendem a performar bem já nos meses que antecedem o ciclo de cortes.
Terceiro, mantenha uma parcela em pós-fixados atrelados ao CDI para proteger parte da carteira se o ciclo de cortes for menor que o esperado. Quarto, proteja a reserva de emergência em ativos líquidos e conservadores para evitar vendas em prejuízo.
Ao combinar indexadores, prazos e liquidez, o investidor consegue equilibrar potencial de ganho e controle de risco, aproveitando a janela aberta pela possível redução da taxa básica, sem expor toda a carteira a oscilações inesperadas.