quinta-feira, junho 4, 2026

Apagões em São Paulo Enel: Nunes rebate CEO que afirmou que ‘só Jesus Cristo’ evitaria interrupções, e crise acelera discussão sobre caducidade da concessão

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Após declaração de Flavio Cattaneo sobre arborização, prefeito Ricardo Nunes acusa a Enel de incompetência, e Aneel amplia análise sobre apagões em São Paulo Enel

O conflito entre a Prefeitura de São Paulo e a Enel escalou nesta segunda-feira, com o prefeito Ricardo Nunes criticando duramente declarações do CEO global da empresa sobre as causas dos apagões em São Paulo.

Nunes disse que a fala do executivo foi um deboche e responsabilizou a concessionária pela má prestação do serviço, citando dados sobre locais sem queda de árvores.

As trocas de acusações ocorrem em meio a investigações e a possível abertura de processo de caducidade da concessão pela Aneel, conforme informação divulgada pelo g1.

Rebate de Ricardo Nunes à Enel

Em evento na Expo Favela, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reagiu com críticas a comentários do CEO da Enel, Flavio Cattaneo.

O prefeito afirmou, com tom contundente, “Nem Jesus Cristo salva essa Enel. Muita cara de pau. Um deboche. O nível de incompetência é tão grande que, somado à capacidade de mentiras, chega a assustar. Mais de 80% dos locais que ficaram sem energia não tiveram queda de árvores”.

Com a declaração, Nunes buscou responsabilizar a concessionária pelo desempenho nas interrupções recentes, e reforçar a insatisfação pública com o restabelecimento lento da energia em áreas da capital e da região metropolitana.

O posicionamento da Enel e as explicações do CEO

O CEO Flavio Cattaneo afirmou que a infraestrutura aérea da rede enfrenta dificuldades por causa da arborização urbana, e que a queda de árvores durante tempestades danifica cabos, retardando o religamento.

Cattaneo disse, “Na nossa avaliação, não se trata apenas de um problema da Enel. Se esse tipo de arborização continuar, só alguém seria capaz de resolver, e não é um ser humano, é Jesus Cristo, porque não há como evitar apagões de outra forma”.

O executivo também destacou que, em muitos pontos, “os cabos de energia, em muitos pontos, estão ‘dentro das árvores'”, o que, segundo ele, torna as interrupções inevitáveis em tempestades ou eventos climáticos excepcionais.

Laudos, números e defesa técnica da Enel

A Enel afirmou ter produzido estudos e laudos para autoridades, incluindo um mapeamento que, segundo a empresa, registrou 770 mil árvores na área de concessão na Grande São Paulo.

De acordo com a Enel, o levantamento apontou que 9 das 145 árvores que efetivamente caíram durante o apagão de dezembro de 2025 na região tinham risco. A perícia contratada pela empresa indicou que a força do vento foi a principal causa do tombamento, com problemas secundários, como a presença de fungos.

A companhia também informou que o departamento jurídico e a subsidiária brasileira apresentaram resultados que sugeririam uma melhora de 50% na qualidade do serviço prestado em São Paulo no último ano.

Aneel, processo de caducidade e próximos passos

Os serviços da Enel estão sob escrutínio desde o fim de 2024, quando concessionárias do grupo demoraram dias para restabelecer a energia após eventos climáticos extremos, e uma série de apagões evidenciou fragilidades na resposta a emergências.

A Agência Nacional de Energia Elétrica, Aneel, começou a analisar um processo de eventual caducidade da concessão da Enel em São Paulo em novembro do ano passado, e o escopo foi ampliado para incluir o grande apagão de dezembro que afetou 4,4 milhões de consumidores.

O diretor Gentil Nogueira solicitou mais 60 dias para elaborar seu voto e recolocar o processo em pauta, enquanto o diretor-geral da Aneel, Sandoval Feitosa, manifestou-se contrariamente, pedindo urgência na deliberação.

A Enel também anunciou um plano global de investimentos de 53 bilhões de euros entre 2026 e 2028, com cerca de 6,2 bilhões de euros previstos para a América Latina, incluindo Brasil, sujeito a um ambiente regulatório previsível.

Enquanto isso, consumidores e autoridades acompanham o desfecho do embate entre prefeitura, concessionária e agência reguladora, em um cenário em que os debates sobre poda, arborização e modernização da rede ganham centralidade nas discussões sobre como reduzir futuros apagões em São Paulo Enel.

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