Apex vai à Europa para defender o acordo Mercosul-UE, Jorge Viana quer ‘mostrar que país não é bicho-papão’ e planeja visitas a parlamentos e empresários
Com foco no acordo Mercosul-UE, a Apex anuncia campanha de imagem, fará viagens de sensibilização para empresários europeus e busca articulação com parlamentos dos países do bloco
O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, Jorge Viana, informou que vai lançar uma campanha para promover a imagem do Brasil na Europa, com ênfase na defesa do acordo Mercosul-UE.
Na prática, Viana disse que fará viagens de sensibilização com o objetivo de alcançar empresários europeus, para mostrar que o Brasil não é um “bicho-papão”, e para reduzir receios sobre o acordo comercial.
Viana também afirmou ter conversado com o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, sobre a possibilidade de uma visita ao Parlamento Europeu, e disse que a iniciativa deve se estender às casas legislativas dos países do Mercosul, conforme informação divulgada pelo g1.
O que a Apex pretende fazer na Europa
Segundo a Apex, a campanha terá ações de comunicação e uma agenda de viagens a centros empresariais, com o objetivo de mostrar oportunidades de negócios e mitigar dúvidas sobre normas ambientais e sanitárias.
Jorge Viana afirmou que a estratégia será apostar no diálogo, nos moldes do que foi feito durante o episódio do “tarifaço”, buscando diálogo com empresários e parlamentares para facilitar a aprovação e implementação do acordo Mercosul-UE.
Decisão do Parlamento Europeu e reação de Viana
A iniciativa da Apex ocorre após a decisão do Parlamento Europeu de encaminhar o texto do acordo entre o Mercosul e a União Europeia à Justiça, que ficará responsável por analisar a legalidade do documento.
Viana classificou a decisão como uma “manobra política”, embora tenha reconhecido o caráter legítimo do movimento dentro do processo democrático. Ele disse, citando textualmente, “Lá no Parlamento Europeu foi, no fundo, uma manobra política dos que eram contra. Tentaram uma vez, tentaram outra e agora conseguiram, com números muito pequenos de diferença, em uma operação que faz parte do jogo da política”.
Sobre o resultado, Viana completou, citando textualmente, “Tem que respeitar isso. Mas nós vamos fazer a nossa parte”.
Articulação com o Congresso e prazos
De acordo com a informação divulgada pelo g1, Viana relatou que conversou com o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, e que Alcolumbre concordou com a proposta de visita ao Parlamento Europeu, além de sinalizar que a aprovação do acordo será tratada como prioridade na retomada dos trabalhos do Congresso Nacional.
Questionado sobre a possibilidade de o acordo entrar em vigor ainda em 2026, o presidente da Apex disse estar otimista, mas ponderou sobre riscos jurídicos. Ele afirmou, citando textualmente, “Essa pergunta é difícil de responder. Eu sou otimista. Acho que vamos encontrar uma solução ainda neste ano. Mas se ele vai entrar em vigor de maneira precária, não podemos afirmar. Há quem defenda isso, mas também existe o argumento de que poderia gerar insegurança jurídica e ações judiciais”.
Contexto político e próximos passos
O movimento da Apex é parte de uma tentativa de reduzir a polarização em torno do acordo Mercosul-UE, e de construir confiança entre investidores e legisladores europeus, em um momento em que setores, como parte do agronegócio europeu, comemoraram a ida do texto à Justiça.
A estratégia prevista inclui viagens de sensibilização, reuniões com líderes empresariais e visitas a parlamentos, com objetivo de mostrar argumentos técnicos e econômicos favoráveis ao acordo, e de buscar uma saída que permita avançar nas negociações sem gerar insegurança jurídica, conforme informação divulgada pelo g1.