Instabilidade no aplicativo do FGC complica primeiros pagamentos relacionados à liquidação do Banco Master, usuários devem ficar atentos a golpes, e cobertura do FGC pode chegar a R$ 250 mil por CPF ou CNPJ
O primeiro dia de pagamento de garantias do Fundo Garantidor de Créditos, pelo aplicativo do FGC, registrou instabilidade, causando dúvidas e filas virtuais entre correntistas e investidores afetados pela liquidação do Banco Master.
Segundo o presidente do FGC, Daniel Lima, é importante que as pessoas estejam atentas para não serem enganadas. “Infelizmente, esse é um problema que afeta todo o sistema financeiro, e o processo de pagamento de garantias pelo FGC também pode ser alvo de criminosos”, acrescentou Daniel Lima, do FGC.
Informações sobre quem tem direito à cobertura, o teto de reembolso e os produtos protegidos começaram a ser divulgadas, enquanto o atendimento digital enfrenta falhas técnicas e alto volume de acessos, conforme informação divulgada pelo g1.
O que fazer diante da instabilidade do aplicativo
Usuários que tentam acessar o aplicativo do FGC devem confirmar canais oficiais antes de informar dados pessoais, evitar links de origem desconhecida e preferir canais do próprio FGC e do Banco Central para consultas.
Em caso de dúvida sobre mensagens ou chamadas que prometam aceleração de pagamento, a recomendação é bloquear o contato e buscar orientação diretamente nos canais oficiais do FGC, para reduzir o risco de golpes e fraudes.
Quem está coberto pelo FGC e como funciona a indenização
Os saldos de correntistas e investidores são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição.
No caso dos investidores, a cobertura varia conforme o tipo de aplicação. Estão dentro das regras do FGC: CDB e Recibo de Depósito Bancário (RDB);Letra de Crédito Imobiliário (LCIs) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCAs).
O FGC só atua em casos de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira. A indenização considera o valor investido somado aos rendimentos acumulados até a data da liquidação, limitado ao teto de R$ 250 mil.
⚠️ EXEMPLO: Quem tinha R$ 180 mil investidos e R$ 100 mil para receber em rendimentos terá acesso a até R$ 250 mil. O valor que exceder esse limite deve ser solicitado no processo de liquidação conduzido pelo BC.
O que não tem cobertura do FGC
Não têm direito à cobertura do FGC os investidores que aplicaram em produtos sem garantia do fundo, como: Debêntures;Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs),;Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs);Fundos de investimento;Títulos emitidos fora do sistema de proteção.
Nesses casos, não há indenização automática, todo o valor investido entra integralmente na fila da liquidação e só poderá ser recuperado se houver recursos suficientes após o pagamento das obrigações prioritárias.
Contexto da liquidação do Banco Master
A instituição de Daniel Vorcaro foi liquidada no dia 18 de dezembro de 2025 pelo Banco Central. A instituição já operava sob risco de falência por causa do alto custo de captação e da exposição a investimentos considerados arriscados, com juros muito acima do padrão de mercado.
Tentativas de venda, como a proposta do Banco de Brasília (BRB), não avançaram. Todas foram interrompidas por questionamentos de órgãos de controle, falta de transparência, pressões políticas e menções ao Master em investigações.
O sinal de alerta no mercado ficou mais evidente quando o banco passou a oferecer produtos financeiros com remunerações muito acima do padrão. O principal deles eram os CDBs emitidos pela instituição.
Enquanto o FGC e o Banco Central seguem com os procedimentos técnicos e legais, a orientação é acompanhar os comunicados oficiais, confirmar canais de atendimento e não compartilhar senhas ou códigos de segurança com terceiros.