quinta-feira, junho 4, 2026

Arábia Saudita bombardeia Iêmen em Mukalla após acusar Emirados de enviar armas a separatistas, tensão com Abu Dhabi e risco para segurança no Mar Vermelho

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Arábia Saudita bombardeia Iêmen, ataque aéreo limitado atingiu armas e veículos descarregados em Mukalla após chegada de navios de Fujairah, e forças anti-houthis declararam emergência

Um ataque aéreo realizado pela Arábia Saudita atingiu na terça-feira cargas que, segundo Riad, teriam sido descarregadas em Mukalla, no Iêmen, após chegada de navios vindos dos Emirados Árabes Unidos.

O episódio elevou a tensão entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, e levou autoridades locais anti-houthis a decretarem estado de emergência e restrições a travessias e portos.

Os detalhes iniciais do episódio, incluindo imagens e declarações militares, foram divulgados pela imprensa, conforme informação divulgada pelo g1

O ataque e as alegações sobre envio de armas

Segundo um comunicado militar divulgado pela agência de notícias estatal saudita, a operação foi motivada pelo que Riad descreveu como um envio de armas e veículos destinados ao Conselho de Transição do Sul, grupo apoiado pelos Emirados.

O comunicado afirmou, textualmente, “A tripulação dos navios desativou os dispositivos de rastreamento a bordo e descarregou uma grande quantidade de armas e veículos de combate em apoio às forças do Conselho de Transição do Sul”.

Na mesma nota, as autoridades sauditas justificaram a ação, dizendo, entre outras coisas, “Considerando que as armas mencionadas constituem uma ameaça iminente e uma escalada que ameaça a paz e a estabilidade, a Força Aérea da Coalizão realizou, nesta manhã, um ataque aéreo limitado que teve como alvo armas e veículos militares descarregados dos dois navios em Mukalla”.

Não ficou imediatamente claro se houve vítimas, e a nota também disse que o ataque foi feito durante a noite para reduzir “nenhum dano colateral”.

Analistas e dados de rastreamento citados pela imprensa indicaram que um dos navios possivelmente envolvidos foi identificado como Greenland, uma embarcação do tipo roll-on, com bandeira de São Cristóvão, que esteve em Fujairah em 22 de dezembro e chegou a Mukalla no domingo.

Imagens divulgadas pela televisão estatal saudita, incluindo gravações aparentemente de aeronaves de vigilância, mostraram veículos blindados em deslocamento por Mukalla, e vídeos em redes sociais também mostraram novas viaturas na cidade portuária.

Os proprietários do navio, com sede em Dubai, não foram localizados de imediato, e os Emirados Árabes Unidos não responderam imediatamente a pedidos de comentário, segundo relatos.

Reações locais e medidas dos anti-houthis

As forças anti-houthis no Iêmen declararam estado de emergência e impuseram uma proibição de 72 horas a travessias de fronteira em territórios sob seu controle, além de restringir entradas em aeroportos e portos, exceto as autorizadas pela Arábia Saudita.

A ofensiva saudita chegou depois de bombardeios anteriores, vistos por analistas como um aviso para que os separatistas interrompessem avanços nas províncias de Hadramout e Mahra.

Especialistas em risco citaram um possível cenário de escalada controlada, com as forças do Conselho buscando consolidar ganhos locais e a Arábia Saudita usando seu controle do espaço aéreo para frear fluxos de armamento.

Mohammed al-Basha, especialista em Iêmen, disse, conforme cobertura, “Espero uma escalada calculada de ambos os lados. O Conselho de Transição do Sul, apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, provavelmente responderá consolidando o controle”, e acrescentou que o fluxo de armas pode ser reduzido após o ataque, pela capacidade de controle aéreo da Arábia Saudita.

Implicações regionais e relação Riad-Abu Dhabi

O ataque agrava uma crise política entre a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, aliados históricos que, segundo analistas, também competem por influência e interesses econômicos na região.

A tensão ocorre em meio a um contexto mais amplo de instabilidade no Mar Vermelho e em países vizinhos, como o Sudão, onde Riad e Abu Dhabi apoiam lados opostos em conflitos locais.

Além disso, ações recentes na região, como o reconhecimento da Somalilândia por Israel, geraram preocupações, com os houthis ameaçando atacar qualquer presença israelense na Somalilândia, o que pode ampliar os riscos de confrontos no corredor do Mar Vermelho.

O caso em Mukalla destaca como operações militares, logística naval e rivalidades entre potências regionais se entrelaçam, com impactos diretos na segurança de rotas marítimas e na dinâmica política do Iêmen.

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