Arábia Saudita bombardeia Iêmen em resposta a embarcações vindas de Fujairah, autoridades sauditas dizem que armas e veículos foram descarregados em apoio ao Conselho de Transição do Sul
Forças da coalizão liderada pela Arábia Saudita realizaram um ataque aéreo sobre a cidade portuária de Mukalla, no Iêmen, em uma operação descrita como limitada, com foco em armas e veículos militares.
O episódio aumentou a tensão entre Riad e os Emirados Árabes Unidos, após alegações de que embarcações vindas de Fujairah teriam descarregado armamentos em apoio aos separatistas do Sul do Iêmen.
As forças anti-houthis do Iêmen declararam estado de emergência e impuseram proibições temporárias a travessias e entradas em aeroportos e portos, enquanto crescem riscos de nova escalada regional, conforme informação divulgada pelo g1.
O ataque e as alegações
Um comunicado militar, divulgado pela agência de notícias estatal saudita, informou que o ataque ocorreu depois da chegada de navios vindos de Fujairah, cidade portuária na costa leste dos Emirados Árabes Unidos.
No texto divulgado, as autoridades afirmaram que, diante de uma ameaça considerada iminente, a Força Aérea da coalizão realizou “"Considerando que as armas mencionadas constituem uma ameaça iminente e uma escalada que ameaça a paz e a estabilidade, a Força Aérea da Coalizão realizou, nesta manhã, um ataque aéreo limitado que teve como alvo armas e veículos militares descarregados dos dois navios em Mukalla"”, com foco nos carregamentos desembarcados.
As forças sauditas também disseram que o ataque foi realizado durante a noite para minimizar, “"nenhum dano colateral ocorresse"”, sem detalhar imediatamente se houve vítimas ou a participação de outras forças militares.
Navios, rastreamento e evidências
Analistas identificaram possivelmente uma das embarcações como o Greenland, um navio do tipo roll-on/roll-off com bandeira de São Cristóvão, cuja movimentação foi verificada por dados de rastreamento.
Segundo a apuração citada pelo g1, o navio “esteve em Fujairah em 22 de dezembro e chegou a Mukalla no domingo”, e imagens exibidas pela televisão estatal saudita, possivelmente de aeronaves de vigilância, teriam mostrado veículos blindados sendo deslocados pela cidade.
O comunicado militar alegou ainda, em referência às ações da tripulação, que “"A tripulação dos navios desativou os dispositivos de rastreamento a bordo e descarregou uma grande quantidade de armas e veículos de combate em apoio às forças do Conselho de Transição do Sul"”.
Os proprietários do navio, mencionados como sediados em Dubai, não foram contatados de imediato, e a segunda embarcação não foi identificada publicamente, segundo os relatos disponíveis.
Reações locais e risco de escalada
Em resposta ao ataque, o Conselho de Transição do Sul e forças anti-houthis declararam estado de emergência, com proibição de 72 horas para travessias de fronteira em territórios sob seu controle e restrições a aeroportos e portos marítimos, exceto mediante autorização da Arábia Saudita.
O especialista em Iêmen Mohammed al-Basha, fundador da Basha Report, avaliou, segundo a apuração, que “"Espero uma escalada calculada de ambos os lados. O Conselho de Transição do Sul, apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, provavelmente responderá consolidando o controle"”.
Al-Basha também advertiu que, após o ataque ao porto, o fluxo de armas vindas dos Emirados para o Conselho do Sul deve ser reduzido, principalmente porque a Arábia Saudita controla o espaço aéreo, embora o risco de novas tensões permaneça elevado.
Contexto regional e implicações estratégicas
O episódio ocorre em meio a atritos já crescentes entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, ambos aliados próximos, mas também concorrentes por influência política e econômica na região.
A ofensiva em Mukalla sucede ataques aéreos sauditas contra as forças do Conselho do Sul na sexta-feira anterior, que foram interpretados por analistas como um aviso para que os separatistas interrompessem o avanço nas províncias de Hadramout e Mahra.
Além da disputa no Iêmen, a rivalidade entre Riad e Abu Dhabi tem se manifestado em outros cenários, como o Sudão, onde os dois países apoiam lados opostos, e em tensões decorrentes de reconhecimentos diplomáticos recentes no Chifre da África.
Fontes oficiais dos Emirados não responderam de imediato a pedidos de comentário, e o canal de notícias via satélite AIC, ligado ao Conselho, confirmou os ataques sem detalhar alvos ou danos.
Com a presença do Conselho de Transição do Sul hasteando cada vez mais a bandeira do Iêmen do Sul em áreas tomadas recentemente, a situação pode se transformar em um confronto mais amplo, que afetaria a estabilidade do Mar Vermelho e as rotas comerciais próximas a uma das áreas marítimas mais sensíveis do mundo.
As informações desta reportagem foram reunidas a partir do material divulgado pelo g1, com base em comunicados militares sauditas, análises de rastreamento de embarcações e declarações de especialistas, conforme informação divulgada pelo g1.