Arábia Saudita bombardeia Mukalla no Iêmen após suposto envio de armas dos Emirados, aumenta tensão com Emirados Árabes Unidos e risco de escalada no Mar Vermelho

Arábia Saudita bombardeia Iêmen, atacou armas e veículos em Mukalla após chegada de navios de Fujairah, medidas de emergência locais e temores de nova escalada regional

A manhã em Mukalla, cidade portuária do Iêmen, foi marcada por um ataque aéreo que, segundo comunicado militar saudita, atingiu armas e veículos desembarcados de dois navios, após a chegada de embarcações vindas de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos.

O episódio elevou a tensão entre Riad e Abu Dhabi, e levou forças anti-houthis no Iêmen a declararem estado de emergência, impondo proibições temporárias a travessias de fronteira, aeroportos e portos sob seu controle.

As informações sobre o ataque e os movimentos dos navios foram divulgadas pela imprensa internacional, e ganharam detalhamento em reportagens locais, conforme informação divulgada pelo g1

O ataque e as alegações sobre envio de armas

Em nota citada pela mídia estatal da Arábia Saudita, as forças da coalizão afirmaram que “a tripulação dos navios desativou os dispositivos de rastreamento a bordo e descarregou uma grande quantidade de armas e veículos de combate em apoio às forças do Conselho de Transição do Sul”.

O comunicado acrescentou, ainda, que “considerando que as armas mencionadas constituem uma ameaça iminente e uma escalada que ameaça a paz e a estabilidade, a Força Aérea da Coalizão realizou, nesta manhã, um ataque aéreo limitado que teve como alvo armas e veículos militares descarregados dos dois navios em Mukalla”.

Não ficou imediatamente claro se houve vítimas, e as autoridades sauditas disseram que a operação ocorreu durante a noite para minimizar “nenhum dano colateral”.

Reações locais e medidas de emergência

As forças anti-houthis no Iêmen declararam estado de emergência na terça-feira, e aplicaram uma proibição de 72 horas a todas as travessias de fronteira em áreas sob seu controle, além de restringir entrada em aeroportos e portos, salvo autorizações da Arábia Saudita.

Imagens divulgadas por canais oficiais sauditas, e vídeos nas redes sociais, mostraram veículos blindados circulando por Mukalla após a chegada das embarcações, segundo analistas citados na cobertura, o que reforçou a narrativa de um carregamento militar desembarcado na cidade.

Identificação dos navios e evidências

Analistas identificaram um dos navios possivelmente como o Greenland, um cargueiro do tipo roll-on/roll-off com bandeira de São Cristóvão, que, de acordo com dados de rastreamento, esteve em Fujairah no dia 22 de dezembro e chegou a Mukalla no domingo anterior ao ataque.

Uma segunda embarcação não pôde ser identificada de imediato, e proprietários de uma das embarcações, sediados em Dubai, não foram localizados para comentar, segundo as reportagens que cobriram o caso.

Contexto político e riscos de escalada regional

O ataque a Mukalla ocorre depois de uma série de confrontos entre o Conselho de Transição do Sul, apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, e forças alinhadas à Arábia Saudita, incluindo bombardeios sauditas recentes que buscavam frear o avanço de separatistas em províncias como Hadramout e Mahra.

Especialistas citados nas matérias preveem uma “escalada calculada” de ambos os lados, com o Conselho de Transição do Sul buscando consolidar controle local, e a Arábia Saudita tentando reduzir o fluxo de armas, aproveitando seu controle do espaço aéreo.

Além do confronto direto no Iêmen, o episódio agrava uma crise mais ampla entre Riad e Abu Dhabi, que têm disputado influência regional, e se soma a tensões no Sudão, outro teatro em que os dois países apoiam lados opostos, e a recente declaração de reconhecimento de Israel à Somalilândia, que gerou alertas de grupos houthis sobre possíveis ataques contra presença israelense na região.

Enquanto as investigações sobre origem e destino das armas seguem, a comunidade internacional observa o risco de que a disputa bilateral entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos se traduza em mais confrontos no terreno, com impactos diretos na estabilidade do Mar Vermelho e nas rotas comerciais próximas a áreas de conflito.