Arábia Saudita bombardeia porto de Mukalla no Iêmen após acusar Emirados de enviar armas, aumentando tensão com Abu Dhabi e no Mar Vermelho

Ataque saudita teria atingido carregamento e veículos desembarcados em Mukalla, autoridades declaram emergência e proíbem travessias por 72 horas, conforme g1

A Arábia Saudita realizou um ataque aéreo em Mukalla, cidade portuária no sudeste do Iêmen, afirmando ter como alvo armas e veículos militares que teriam sido descarregados de navios vindos dos Emirados Árabes Unidos.

O episódio elevou a tensão entre Riad e Abu Dhabi, já afetada por disputas de influência no Iêmen e por episódios recentes no Mar Vermelho e no Sudão.

Conforme informação divulgada pelo g1, as forças anti-houthis do Iêmen declararam estado de emergência e impuseram uma proibição de 72 horas a travessias de fronteira e ao acesso a aeroportos e portos em áreas sob seu controle.

O ataque e as alegações de envio de armas

Segundo um comunicado militar citado pela agência estatal saudita, o ataque foi motivado pela chegada de navios vindos de Fujairah, nos Emirados, e pelo descarregamento de material bélico em Mukalla.

No texto divulgado, as autoridades afirmaram, “A tripulação dos navios desativou os dispositivos de rastreamento a bordo e descarregou uma grande quantidade de armas e veículos de combate em apoio às forças do Conselho de Transição do Sul”.

O comunicado ainda justificou a ação, “Considerando que as armas mencionadas constituem uma ameaça iminente e uma escalada que ameaça a paz e a estabilidade, a Força Aérea da Coalizão realizou, nesta manhã, um ataque aéreo limitado que teve como alvo armas e veículos militares descarregados dos dois navios em Mukalla”.

Não houve confirmação imediata sobre vítimas, nem sobre a participação de outras forças além das sauditas. O governo saudita disse que o ataque foi feito à noite para minimizar, com o objetivo de reduzir o risco de dano colateral.

Navios identificados e imagens divulgadas

Analistas consultados pela Associated Press identificaram como provável alvo um navio chamado Greenland, do tipo roll-on/roll-off, com bandeira de São Cristóvão, que esteve em Fujairah em 22 de dezembro e chegou a Mukalla no domingo.

Imagens exibidas pela televisão estatal saudita, possivelmente captadas por aeronave de vigilância, mostraram veículos blindados se deslocando por Mukalla rumo a uma área de concentração, e vídeos em redes sociais registraram a circulação de novos blindados na cidade, segundo especialistas citados pela imprensa.

Reações, riscos de escalada e impacto político

Os Emirados Árabes Unidos não se pronunciaram de imediato sobre as acusações e o ataque, segundo a Associated Press. O canal AIC, ligado ao Conselho de Transição do Sul, confirmou os ataques, sem detalhar alvos ou danos.

Mohammed al-Basha, especialista em Iêmen e fundador da Basha Report, afirmou, “Espero uma escalada calculada de ambos os lados. O Conselho de Transição do Sul, apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, provavelmente responderá consolidando o controle”, e acrescentou que o fluxo de armas dos Emirados para o Conselho deverá ser reduzido após o ataque, já que a Arábia Saudita controla o espaço aéreo.

O episódio ocorre após ataques aéreos sauditas contra posições do Conselho do Sul na sexta-feira anterior, que analistas interpretaram como aviso para que os separatistas interrompessem seu avanço nas províncias de Hadramout e Mahra.

Contexto local e implicações regionais

Mukalla fica na província de Hadramout, que o Conselho de Transição do Sul havia tomado nos últimos dias, e está a cerca de 480 quilômetros, 300 milhas, a nordeste de Aden, sede das forças anti-Houthi desde 2014.

O avanço dos separatistas, que têm hasteado a bandeira do Iêmen do Sul, agravou divergências entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, parceiros regionais que também competem por influência política e econômica.

Além do Iêmen, tensões entre Riad e Abu Dhabi aparecem em outros cenários, como no Sudão, onde cada potência apoia lados opostos, e na instabilidade no Mar Vermelho, área chave para o tráfego marítimo internacional.

O caso segue em evolução, com implicações para a dinâmica da coalizão anti-Houthi, para o controle do espaço aéreo e portuário no sul do Iêmen, e para as relações entre Arábia Saudita e Emirados, conforme informação divulgada pelo g1.