Arábia Saudita minimiza impacto da Venezuela no petróleo global, Al-Jadaan diz que aumento da produção pelos EUA levará tempo e exigirá investimentos, Maduro, Trump

Mohammed Al-Jadaan, em Davos, afirmou que “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”, e que qualquer aumento na produção exigirá tempo e investimentos

A Arábia Saudita afirmou que a nova situação política na Venezuela não deverá afetar de forma relevante o mercado global de petróleo, apesar da captura de Nicolás Maduro e do interesse dos Estados Unidos em aumentar a oferta.

O comentário foi feito no debate de encerramento do Fórum Econômico Mundial em Davos pelo ministro das Finanças saudita, Mohammed Al-Jadaan, que destacou as dificuldades práticas para retomada rápida da produção venezuelana.

Especialistas e autoridades apontam que, apesar das reservas gigantescas da Venezuela, problemas de infraestrutura e falta de investimentos tornam improvável uma recuperação imediata da produção, o que, segundo a Arábia Saudita, limita o impacto no mercado.

conforme informação divulgada pelo g1

Por que a Arábia Saudita minimiza o efeito sobre o mercado

Al-Jadaan disse, em Davos, que “Não acredito que veremos um impacto significativo no mercado de petróleo”, frase que resume a avaliação saudita sobre os reflexos da mudança política venezuelana.

Para o ministro, o retorno de volumes adicionais ao mercado não é automático, porque “Qualquer aumento na produção levará tempo e exigirá investimentos consideráveis”, afirmação que sublinha a necessidade de capital e reconstrução da cadeia de produção.

Reservas, produção e os limites práticos da Venezuela

A Venezuela possui, segundo a Opep, as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com produção de cerca de 303 bilhões de barris, à frente da Arábia Saudita, com 267,2 bilhões.

No entanto, décadas de corrupção e má gestão fizeram a produção despencar de um pico de mais de três milhões de barris por dia para os atuais 1,2 milhão de barris, segundo autoridades venezuelanas.

De acordo com a Agência Internacional de Energia, a Venezuela produziu uma média de 950 mil barris por dia em 2025, dos quais 780 mil foram exportados, números que mostram a distância entre reservas e capacidade atual de oferta.

O papel dos Estados Unidos e das multinacionais

Desde a captura e deposição de Maduro em 3 de janeiro, em uma operação militar em Caracas, os Estados Unidos controlam as vendas do petróleo venezuelano, o que provocou declarações públicas sobre aumentar a produção.

Apesar das ambições do governo de Donald Trump, as grandes petrolíferas permanecem cautelosas e evitam investimentos significativos na infraestrutura venezuelana, devido a riscos políticos, legais e logísticos, o que reforça o argumento saudita sobre a demora para qualquer impacto relevante no mercado.

O que pode mudar os cenários

Para que a produção venezuelana volte a níveis próximos dos picos, seriam necessários investimentos massivos, segurança jurídica para empresas estrangeiras e tempo para recuperar poços e refinarias, fatores repetidos por Al-Jadaan.

Enquanto essas condições não estiverem resolvidas, a avaliação predominante entre governos e analistas é a de que oscilações de curto prazo nos preços do petróleo deverão ser contidas, e que o mercado continuará atento às decisões de produtores como Arábia Saudita e Estados Unidos.