Argentina quer flexibilizar regras do Mercosul para permitir acordos comerciais e atrair investimentos dos EUA, diz chanceler Pablo Quirno

Proposta de aumentar a flexibilidade do bloco permitiria que países do Mercosul firmem acordos comerciais bilaterais com menos restrições, após tratado com os Estados Unidos

A Argentina anunciou uma iniciativa para reduzir barreiras internas do Mercosul, com o objetivo de permitir que os integrantes do bloco celebrem acordos comerciais com maior liberdade.

O ministro das Relações Exteriores, Pablo Quirno, disse que a intenção é aumentar a flexibilidade do bloco e facilitar negociações bilaterais que atraiam investimentos e abram mercados.

As declarações foram dadas em coletiva para explicar o acordo anunciado entre Argentina e Estados Unidos, conforme informação divulgada pelo g1.

O que disse o governo argentino

Segundo Quirno, a mudança proposta não cria vetos a parceiros existentes, ao afirmar que, e cito, “Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul“. A mensagem busca reforçar que a flexibilização visa ampliar opções comerciais, sem excluir investidores.

Detalhes do acordo com os EUA e impactos

O tratado entre Argentina e Estados Unidos prevê redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos, incluindo cooperação em materiais críticos. De acordo com o texto do acordo, haverá investimentos dos EUA em toda a cadeia, da exploração ao refino, processamento e exportação.

O documento indica que o acordo não entra em vigor na assinatura, pois passa a valer 60 dias após troca de notificações por escrito para concluir trâmites legais internos, ou em outra data que os países acordarem.

Regras comerciais e cotas previstas

Após a vigência, a Argentina se compromete a zerar tarifas ou reduzi‑las para cerca de 2% em milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos. Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para produtos agrícolas argentinos selecionados e limitarão sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens.

Relação com China e diálogo entre líderes

Quirno destacou que a negociação com os EUA não impede que a China, atualmente dominante em insumos essenciais, participe de investimentos no setor de mineração da Argentina. O chanceler também mencionou que o presidente americano, Donald Trump, e o presidente Javier Milei, continuarão a analisar a questão da redução das tarifas sobre o alumínio e o aço argentino.

Analistas dizem que a proposta de flexibilização do Mercosul pode acelerar acordos bilaterais e ampliar fluxos de comércio e investimento, mas exige consenso entre os membros do bloco para evitar rupturas internas.

O governo argentino apresenta a iniciativa como uma tentativa de modernizar o funcionamento do Mercosul e tornar o bloco mais competitivo, atraindo parceiros como os Estados Unidos e diversificando fluxos de investimento.