Argentina quer flexibilizar regras para que países do Mercosul fechem acordos externos com EUA, atraindo investimentos em mineração, tecnologia e agronegócio

Com o tratado anunciado com os EUA, governo de Javier Milei afirma que todos os acordos bilaterais são permitidos no Mercosul, e negociações podem reduzir tarifas

A Argentina anunciou um acordo com os Estados Unidos que prevê redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos entre os dois países.

O tratado inclui setores estratégicos, como materiais críticos, e abre caminho para investimentos que vão da exploração à exportação.

Autoridades argentinas dizem que o entendimento não impede a participação da China em projetos no país, e que novas reduções tarifárias podem ser avaliadas.

conforme informação divulgada pelo g1

O que disse o governo e a flexibilização para o Mercosul

O ministro responsável pelas negociações afirmou, em coletiva, a posição do governo sobre acordos exteriores, seguindo a linha de abertura adotada pela administração de Javier Milei.

Em fala a jornalistas, foi registrado o seguinte: “Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul”, disse Quirno a jornalistas.

A declaração do ministro reforça a ideia de que a Argentina pretende permitir que membros do Mercosul façam acordos bilaterais, sem que isso seja um impedimento interno, e pode alterar práticas comerciais tradicionais do bloco.

Principais pontos do acordo com os EUA

Segundo o texto do acordo, haverá cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia do setor na Argentina, desde a exploração até o refino, processamento e exportação.

O acordo também prevê que, após entrar em vigor, a Argentina zere ou reduza para cerca de 2% as tarifas aplicadas a milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.

Em contrapartida, os EUA eliminarão tarifas para determinados produtos agrícolas argentinos e limitarão eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens.

O embaixador americano e negociador comercial, Jamieson Greer, afirmou que a expectativa é ampliar negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas.

Impasses e alcance, incluindo a China

Embora o acordo seja alinhado à estratégia americana de reduzir dependência da China em materiais críticos, o governo argentino deixou claro que a negociação com os EUA não impede que a China participe de investimentos no setor de mineração da Argentina.

Relatos oficiais indicam que Trump e o presidente Javier Milei continuarão a avaliar a possibilidade de reduzir as tarifas sobre o alumínio e o aço argentinos, o que pode afetar cadeias produtivas e concorrência internacional.

Prazos, vigência e próximos passos

O documento divulgado pelo governo dos EUA informa que o acordo não entra em vigor imediatamente após a assinatura.

Ele só passa a valer 60 dias depois da troca de notificações por escrito que confirmem a conclusão dos trâmites legais internos, ou em outra data que os países definirem.

Com a implementação, o mercado argentino deverá abrir espaço a exportadores americanos, ao mesmo tempo em que Buenos Aires tenta equilibrar parcerias com diferentes potências, alterando a dinâmica de negociações no Mercosul.