Argentina ratifica acordo Mercosul-UE, avança para criar maior zona de livre comércio e prevê eliminar tarifas em mais de 90% do comércio entre blocos

Ratificação do acordo Mercosul-UE pela Argentina transforma negociações, mas levanta dúvidas sobre salvaguardas, impacto agrícola e prazo para validação na União Europeia

A Argentina concluiu a ratificação parlamentar do acordo Mercosul-UE após votação no Senado, acelerando o processo regional de implementação e intensificando o debate sobre efeitos econômicos e políticos.

A aprovação ocorreu numa sessão com resultado contundente, e agora países vizinhos e autoridades europeias avaliam os próximos passos para efetivar o tratado, que foi assinado no começo do ano.

A ratificação argentina amplia a pressão sobre Brasil e Paraguai para avançarem com seus trâmites, ao mesmo tempo em que persiste a resistência de setores europeus afetados pela abertura comercial.

conforme informação divulgada pelo g1

Como foi a votação no Senado argentino

O Senado aprovou a ratificação com resultado expressivo, Com 69 votos a favor, 3 contrários e nenhuma abstenção, o que encerrou a tramitação no Congresso argentino e tornou o país o segundo do Mercosul a concluir o processo.

A sessão confirmou o apoio do governo e de grande parte do Parlamento, apesar de protestos de movimentos sociais e críticas de parcelas do setor produtivo que pedem garantias adicionais.

O que prevê o tratado e números-chave

O texto do acordo, assinado em 17 de janeiro, em Assunção, busca criar a maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo os 27 países da União Europeia e os membros fundadores do Mercosul.

Segundo o tratado, o tratado eliminará tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, que juntos respondem por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e somam mais de 700 milhões de consumidores.

Resistências e salvaguardas na Europa

No Parlamento Europeu, a tramitação enfrenta obstáculos, a Comissão Europeia já adotou medidas de proteção para setores sensíveis, e os eurodeputados, em 21 de janeiro, suspenderam a própria ratificação por tempo indeterminado ao enviar o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliação legal.

Produtores europeus temem concorrência de carne, arroz, mel e soja oriundos da América do Sul, enquanto o bloco europeu pretende ampliar exportação de veículos, máquinas, queijos e vinhos ao Mercosul.

Próximos passos e o cenário para Brasil e Paraguai

Com a Argentina e o Uruguai avançando, Brasil e Paraguai já iniciaram seus procedimentos internos para eventual ratificação, e a Comissão Europeia ainda pode optar por implementar o acordo de forma provisória.

Analistas destacam que, mesmo com aprovações no Mercosul, a efetivação depende do calendário político na Europa e de decisões judiciais, e que a negociação de salvaguardas continuará no centro das discussões durante as próximas etapas.