Argentina ratifica acordo Mercosul-UE e abre caminho para maior zona de livre comércio mundial, impactos no agro e próximos passos para Brasil e Paraguai
Ratificação argentina do acordo Mercosul-UE, com placar no Senado e efeitos sobre tarifas, traz reação do setor agropecuário e abre agenda para trâmites no Brasil, Paraguai e na UE
A Argentina aprovou no Senado a ratificação do acordo Mercosul-UE, em um passo importante para a implementação do tratado que reúne os 27 países da União Europeia e os membros fundadores do Mercosul.
A votação foi favorável, e o texto prevê a eliminação de tarifas sobre grande parte do comércio entre os blocos, uma mudança com potencial impacto em vários setores produtivos.
As informações sobre a ratificação, o placar da votação e os detalhes do acordo foram divulgadas pelo g1, conforme informação divulgada pelo g1
Como foi a votação e o que diz o texto aprovado
Com 69 votos a favor, 3 contrários e nenhuma abstenção, o Senado concluiu a ratificação parlamentar do tratado, assinado em 17 de janeiro, em Assunção.
O texto aprovado prevê a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, uma medida que deve ampliar o intercâmbio de bens e serviços e alterar cadeias produtivas.
A Argentina foi o segundo país do Mercosul a concluir a ratificação, depois do Uruguai, e agora o Brasil e o Paraguai já iniciaram seus processos para levar o acordo aos parlamentos nacionais.
Reações e preocupações do setor agropecuário
O avanço do acordo Mercosul-UE tem provocado forte resistência do setor agropecuário, que teme a entrada de produtos sul-americanos em larga escala no mercado europeu.
Entre os itens citados como sensíveis estão carne, arroz, mel e soja, preocupações que motivaram protestos e pedidos por salvaguardas.
A Comissão Europeia já adotou uma série de medidas para proteger setores considerados sensíveis, segundo as informações divulgadas pela cobertura jornalística.
Situação na União Europeia e próximos passos
No Parlamento Europeu a tramitação segue suspensa desde 21 de janeiro, quando os eurodeputados enviaram o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliação de sua legalidade.
A Comissão Europeia pode decidir implementar o tratado de forma provisória, porém, até o momento, não tomou uma decisão sobre aplicação temporária.
Enquanto isso, a ratificação em países do Mercosul avançará no ritmo dos processos internos, e a entrada em vigor dependerá da conclusão dos trâmites em todos os lados.
Efeitos esperados para comércio e indústrias
Os blocos juntos representam cerca de 30% do Produto Interno Bruto mundial e somam mais de 700 milhões de consumidores, números que sustentam a expectativa por aumento das exportações.
O acordo abre espaço para maiores vendas de veículos, máquinas, queijos e vinhos europeus para o Mercosul, e amplia a concorrência para produtores locais em setores sensíveis.
Os próximos dias devem definir o ritmo da adoção do acordo, entre negociações sobre salvaguardas, análises legais e decisões políticas em países chaves do Mercosul e da União Europeia.