Argentina ratifica acordo Mercosul-UE e acelera criação da maior zona de livre comércio, 69 votos a favor, tensões sobre carne, soja e indústria

Ratificação no Senado consolida acordo Mercosul-UE, o tratado assinado em 17 de janeiro prevê eliminação de tarifas em mais de 90% do comércio, e Parlamento Europeu pediu análise legal

A Argentina concluiu a ratificação parlamentar do acordo Mercosul-UE após votação no Senado, e se tornou o segundo país do bloco a finalizar o processo depois do Uruguai.

A aprovação no Senado argentino ocorreu com com 69 votos a favor, 3 contrários e nenhuma abstenção, e o texto ratificado prevê mudanças comerciais relevantes para a região e para a Europa.

O tratado, assinado em 17 de janeiro, em Assunção, eliminará tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, em um acordo que envolve 27 países da União Europeia e os quatro membros fundadores do Mercosul, conforme informação divulgada pelo g1.

O alcance econômico do acordo Mercosul-UE

O acordo Mercosul-UE cria a maior zona de livre comércio do mundo, e sua entrada em vigor vai impactar fluxos bilaterais, investimentos e cadeias produtivas regionais.

Segundo a informação divulgada pelo g1, os dois blocos, que juntos respondem por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e somam mais de 700 milhões de consumidores, prometem ganhos em escala e redução de custos tarifários.

Votação no Senado e trâmite em outros países

A votação argentina concluiu a ratificação com com 69 votos a favor, 3 contrários e nenhuma abstenção, um placar que formaliza a posição do país no processo de implementação.

Brasil e Paraguai já iniciaram os procedimentos necessários para que seus parlamentos ratifiquem o tratado nos próximos dias, enquanto o Uruguai foi o primeiro país do Mercosul a concluir a etapa parlamentar.

Resistência na Europa e análise legal

Apesar dos avanços no Mercosul, o processo na Europa está suspenso, e o Parlamento Europeu suspendeu a própria ratificação por tempo indeterminado em 21 de janeiro.

Na ocasião, os eurodeputados enviaram o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliar sua legalidade, e a Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia presidido por Ursula von der Leyen, ainda pode decidir sobre implementação provisória.

Setores sensíveis, salvaguardas e próximos passos

O setor agropecuário europeu tem liderado a resistência, com temores sobre a entrada de produtos sul-americanos no mercado. Entre os itens citados estão carne, arroz, mel e soja, que preocupam produtores locais.

Do outro lado, espera-se aumento nas exportações europeias de bens industriais e agroalimentares, como veículos, máquinas, queijos e vinhos, criando tensões políticas e setoriais em ambos os blocos.

Para mitigar impactos, A Comissão Europeia adotou uma série de salvaguardas para proteger setores considerados sensíveis, e diplomatas e negociadores acompanham o calendário de ratificações para tentar acelerar a aplicação do acordo.

Com a Argentina ratificando o acordo Mercosul-UE, a atenção se volta agora para Brasil, Paraguai e para a resposta do Parlamento Europeu, e o desfecho determinará o ritmo de implementação do tratado em nível global.