Argentina ratifica acordo Mercosul-UE no Senado, avançando para a maior zona de livre comércio global com eliminação de tarifas em mais de 90% do comércio
Ratificação do acordo Mercosul-UE recebeu 69 votos a favor, 3 contrários e nenhuma abstenção, e envolve 27 países da União Europeia e fundadores do Mercosul
A Argentina concluiu a ratificação parlamentar do acordo Mercosul-UE após a aprovação do Senado, em 26 de fevereiro de 2026. A decisão aproxima o bloco de um tratado assinado em janeiro que visa maior integração comercial.
O texto prevê reduzir barreiras e criar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo os 27 países da União Europeia e os membros fundadores do Mercosul. A medida deve alterar cadeias de exportação e importação da região.
Ao mesmo tempo, a tramitação enfrenta desafios na Europa, com análise legal e resistência de setores sensíveis, o que pode atrasar a entrada em vigor, apesar dos avanços no Mercosul.
conforme informação divulgada pelo g1
Como foi a votação no Senado
Com 69 votos a favor, 3 contrários e nenhuma abstenção, o Senado concluiu a ratificação parlamentar do tratado, assinado em 17 de janeiro, em Assunção, segundo registro do processo. A aprovação consolidou a posição oficial da Argentina sobre o texto.
O que muda no comércio entre blocos
O tratado eliminará tarifas sobre mais de 90% do comércio entre os dois blocos, que juntos respondem por cerca de 30% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial e somam mais de 700 milhões de consumidores, aponta o acordo. Espera-se aumento nas exportações de veículos, máquinas, queijos e vinhos da UE para a América do Sul.
Do lado sul-americano, há expectativa de maior acesso ao mercado europeu para produtos como carne, arroz, mel e soja, o que motiva debates sobre concorrência e regras fitossanitárias.
Trâmites na Europa e resistência
O avanço no Mercosul ocorre enquanto o Parlamento Europeu suspendeu sua própria aprovação, enviando o texto ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliar sua legalidade. A suspensão ocorreu em 21 de janeiro, e a Comissão Europeia ainda não decidiu por uma implementação provisória.
A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, presidido por Ursula von der Leyen, pode decidir implementar o tratado de forma provisória, mas até o momento, não tomou uma decisão. O processo europeu enfrenta forte pressão do setor agropecuário.
Riscos, salvaguardas e próximos passos
Para tentar reduzir o impacto em setores sensíveis, a Comissão Europeia adotou salvaguardas que limitam aberturas imediatas em alguns segmentos. Brasil e Paraguai já iniciaram seus procedimentos de ratificação, enquanto a entrada em vigor depende da conclusão das tramitações europeias e nacionais.
O caminho à frente envolve decisões judiciais, políticas e técnicas, e a implementação final do acordo Mercosul-UE dependerá da resolução dessas questões, bem como de ajustes para proteger produtores e cadeias industriais em ambos os lados.