Argentina reduz restrições do Mercosul para acordos comerciais bilaterais, com tratado com EUA prevendo corte de tarifas, cotas e abertura a investimentos estrangeiros
Argentina reduz restrições Mercosul acordos comerciais, tratado com os EUA prevê corte de tarifas, cotas para carne e veículos, cooperação em mineração e debate sobre aço e alumínio
O governo argentino sinalizou uma flexibilização das regras do Mercosul para permitir que países do bloco celebrem acordos bilaterais mais amplos, em um movimento que pode acelerar negociações comerciais externas.
As declarações foram dadas em coletiva destinada a detalhar o acordo anunciado com os Estados Unidos, que inclui redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos, além de previsão para materiais críticos, em linha com a estratégia americana de reduzir dependência da China.
As informações sobre as falas do ministro e o teor do tratado foram divulgadas publicamente, conforme informação divulgada pelo g1
O que disse o ministro e a posição sobre o Mercosul
Segundo o ministro argentino, Todos os acordos bilaterais são permitidos dentro do Mercosul, e, por isso, a Argentina quer diminuir restrições para que países do bloco possam firmar tratados com mais facilidade.
Quirno afirmou também que a negociação com os EUA não impede que a China participe de investimentos no setor de mineração da Argentina, e que os presidentes Donald Trump e Javier Milei continuarão a avaliar a possibilidade de reduzir as tarifas sobre o alumínio e o aço.
Pontos centrais do acordo com os Estados Unidos
O acordo anunciado prevê redução de tarifas e um plano recíproco de investimentos, e segundo o texto haverá cooperação e investimentos dos EUA em toda a cadeia do setor na Argentina, desde a exploração até o refino, processamento e exportação.
O documento também prevê a redução de “barreiras comerciais de longa data” e oferece maior acesso ao mercado argentino para exportadores dos EUA, e, conforme o texto divulgado, zerar ou reduza para cerca de 2% as tarifas aplicadas a milhares de produtos dos EUA, além de abrir cotas isentas para itens estratégicos, como 80 mil toneladas de carne bovina e 10 mil veículos.
Contrapartidas e limites
Em troca, os Estados Unidos irão eliminar tarifas para determinados produtos agrícolas argentinos, e o acordo prevê ainda que os EUA irão limitar eventuais sobretaxas a um teto de 10% sobre os demais bens, segundo o material divulgado.
O embaixador americano e negociador comercial, Jamieson Greer, mencionou a expectativa de ampliar negócios que vão de veículos automotores a produtos agrícolas, apontando para ganhos setoriais concretos para ambos os lados.
Prazos e próximos passos
O documento divulgado pelo governo dos EUA informa que o acordo não entra em vigor imediatamente após a assinatura, e Ele só passa a valer 60 dias depois da troca de notificações por escrito que confirmem a conclusão dos trâmites legais internos, ou em outra data que os países definirem.
Com a possibilidade de menor rigidez do Mercosul para acordos bilaterais, a Argentina busca atrair investimentos e abrir mercados, enquanto negocia detalhes técnicos, cotas e prazos para implementação das reduções tarifárias.
O desfecho dependerá agora de tramitação interna dos dois países e de eventuais ajustes entre o interesse de abrir o comércio, a proteção de setores estratégicos e a manutenção de fluxos de investimento, internos e externos, na Argentina.