quinta-feira, junho 4, 2026

Argentina registra superávit comercial de US$ 11,286 bilhões em 2025, Indec confirma segundo ano seguido de saldo positivo enquanto governo de Javier Milei mantém política de déficit zero

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Balança do país registrou exportações de US$ 87,077 bilhões e importações de US$ 75,791 bilhões, resultado menor que o recorde de 2024, com o Brasil como principal parceiro comercial

O indicador mais recente da balança comercial argentina confirma uma sequência positiva, mas mostra desaceleração em relação ao ano anterior. O saldo externo ficou positivo, refletindo um equilíbrio entre exportações e importações que ainda é sensível a choques climáticos e à dinâmica do comércio regional.

Os números oficiais também chegam enquanto o governo comemora a recuperação das contas públicas após medidas de ajuste fiscal vigorosas. A leitura conjunta dos dados comerciais e fiscais oferece pistas sobre o ritmo de recuperação econômica e sobre os efeitos das políticas adotadas pelo presidente Javier Milei.

Conforme informação divulgada pelo g1, “A balança comercial da Argentina registrou superávit de US$ 11,286 bilhões em 2025” e, segundo o relatório do Indec, “Em 2025, a Argentina exportou bens no valor de US$ 87,077 bilhões e importou US$ 75,791 bilhões”.

Detalhes do superávit comercial e principais setores

O superávit comercial de 2025, de US$ 11,286 bilhões, representa o segundo ano seguido com saldo positivo, mas é inferior ao recorde registrado em 2024. Naquele ano, o país teve “Com saldo positivo de US$ 18,899 bilhões, o recorde foi explicado pela queda das importações e pelo aumento das exportações agropecuárias após um ano de seca”.

Em 2025, as exportações cresceram 9,3% na comparação anual, puxadas por produtos primários, manufaturas de origem agropecuária e manufaturas de origem industrial. Segundo o Indec, esses desempenhos foram determinantes para manter o fluxo de vendas externas, mesmo com importações ainda relevantes para a produção interna.

O comércio com o Brasil segue central, sendo “o principal parceiro comercial da Argentina, com US$ 12,771 bilhões em exportações argentinas e US$ 18,424 bilhões em importações”, dados que mostram a forte interdependência entre os dois vizinhos.

Conexão com o quadro fiscal e medidas do governo

A divulgação do superávit comercial ocorreu logo após o governo anunciar superávit fiscal, também pelo segundo ano seguido. O Executivo atribui o resultado à política de “déficit zero” implementada na gestão de Javier Milei, e o ministro da Economia informou que “o superávit primário alcançou 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o superávit fiscal ficou em 0,2% do PIB, segundo o ministro da Economia, Luis Caputo”.

O ajuste fiscal incluiu redução de subsídios e congelamento de orçamentos em áreas como educação, saúde, pesquisa científica e obras públicas. O presidente comemorou a política, afirmando que “A âncora fiscal (déficit zero) é e será uma política de Estado”.

Impactos sociais e riscos à recuperação

Apesar da melhora nas contas públicas e do superávit comercial, a agenda social permanece sensível. O país viveu forte aumento da pobreza em 2024, e embora haja sinais de queda, a situação segue preocupante. Conforme os dados divulgados, “Apesar da melhora fiscal, a Argentina observou uma intensificação da pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% da população nessa situação. Já no primeiro semestre de 2025, o percentual caiu para 31%”.

Analistas apontam que a combinação entre ajuste fiscal, políticas para reduzir impostos e a recuperação das exportações pode sustentar o equilíbrio externo e fiscal no curto prazo, mas riscos domésticos e externos, como variações nas safras agrícolas, dependência de importações industriais e conjuntura internacional, podem afetar a trajetória.

O que observar nos próximos meses

Nos próximos trimestres, a leitura de novos dados de comércio exterior e os relatórios do Indec sobre produção, emprego e pobreza serão cruciais para avaliar se o superávit comercial se consolidará ou se voltará a recuar. A relação com parceiros regionais, em especial o Brasil, e a evolução das políticas internas definidas pelo governo de Milei também terão papel central na próxima fase.

Os números detalhados do Indec e as medidas anunciadas pelo Executivo deverão guiar expectativas de investidores e agricultores, com impacto direto nas contas externas e na vida da população.

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