Arquivos de Epstein: Departamento de Justiça do governo Trump alega “acusações falsas” contra o ex-presidente
Arquivos de Epstein: Departamento de Justiça do governo Trump alega “acusações falsas” contra o ex-presidente
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, sob o governo Trump, divulgou mais de 30 mil novos documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. Segundo o órgão, alguns desses arquivos contêm “afirmações falsas e sensacionalistas” direcionadas ao então presidente Donald Trump.
Estas alegações, que teriam sido enviadas ao FBI pouco antes da eleição de 2020, são consideradas **infundadas e falsas** pelo Departamento de Justiça. O órgão ressalta que, caso tivessem qualquer credibilidade, já teriam sido utilizadas contra Trump.
A divulgação ocorre após o prazo final para a publicação de todos os arquivos do caso Epstein ter expirado na última sexta-feira. A lentidão na liberação e o conteúdo censurado geraram críticas de membros da oposição democrata.
Conforme informação divulgada pelo g1, os novos documentos incluem fotografias, áudios, registros judiciais, materiais do FBI e centenas de vídeos. Dentre eles, há imagens de vigilância de agosto de 2019, período em que Jeffrey Epstein, condenado por abuso de menores e exploração sexual, foi encontrado morto em sua cela.
Novas revelações e menções ao Brasil nos arquivos de Epstein
A recente remessa de documentos, que se seguiu a uma primeira divulgação na sexta-feira passada, trouxe à tona fotos de celebridades, menções ao Brasil e centenas de páginas com trechos censurados. O caso Epstein, que envolveu figuras de alto escalão da política e do meio artístico, ganhou novo destaque com a liberação desses materiais.
Entre as imagens divulgadas estão fotos de Epstein ao lado de personalidades como Michael Jackson e o ex-presidente Bill Clinton, além de Mick Jagger. O contexto exato dessas fotografias não foi esclarecido.
O g1 identificou duas menções ao Brasil nos arquivos. Uma delas é um recado datado de janeiro de 2005, solicitando que Epstein ligasse para um novo telefone de uma mulher, com o assunto “Brasil”. O remetente deste recado está censurado.
Em outro documento, uma anotação manuscrita relata que uma mulher, cujo nome foi omitido, teria sido fotografada sem seu conhecimento. Esta pessoa teria viajado ao Brasil aos 18 anos e retornado aos Estados Unidos dois anos depois.
Pressão política e a posição de Donald Trump sobre os arquivos de Epstein
A liberação dos arquivos de Epstein tem sido palco de intensa pressão política. Durante sua campanha para a presidência em 2024, Donald Trump prometeu tornar públicos os documentos secretos relacionados ao caso, chegando a questionar publicamente por que a lista de clientes de Epstein nunca havia sido divulgada.
No entanto, a posição de Trump sobre o tema sofreu alterações. Inicialmente, ele minimizou a importância do assunto, chegando a chamar de “idiota” quem ainda se importava com os arquivos. Essa mudança de postura aumentou a pressão de opositores e até de membros de seu próprio partido.
A Casa Branca e lideranças republicanas tentaram, em um primeiro momento, impedir que um projeto de lei que determinava a liberação das informações atingisse o número mínimo de assinaturas para ser pautado na Câmara. Contudo, a proposta foi aprovada com apoio de deputados republicanos.
Posteriormente, Trump mudou sua posição e passou a defender a aprovação da proposta, afirmando que os republicanos “não tinham nada a esconder”.
E-mails citam Trump e levantam novas dúvidas sobre a relação com Epstein
Mais de 20 mil páginas de arquivos sobre a investigação de Jeffrey Epstein foram divulgadas pelo Congresso dos EUA em novembro. Grande parte desses documentos contém e-mails trocados pelo bilionário com parentes e amigos.
Em uma das mensagens, datada de janeiro de 2019, Epstein escreveu que Trump “sabia sobre as garotas”. A mensagem menciona o nome de uma vítima, que foi censurado, e faz referência a Mar-a-Lago, resort de Trump na Flórida.
Em outro e-mail, de 2011, Epstein escreveu a Ghislaine Maxwell, sua parceira e confidente, sobre Trump. Ele disse: “Quero que você perceba que o cachorro que não latiu é Trump”, adicionando que uma das vítimas “passou horas na minha casa com ele… e ele nunca foi mencionado uma única vez”.
Para deputados democratas, essas mensagens reacenderam dúvidas sobre a relação entre Trump e o bilionário. O jornal The New York Times sugeriu que Trump pode ter mais conhecimento da conduta de Epstein do que admitiu publicamente.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que os arquivos mostram que o presidente “não fez nada de errado”, e que a polêmica envolvendo os e-mails é uma “armadilha” criada pela oposição.
Departamento de Justiça garante proteção a vítimas e investigações
O Departamento de Justiça informou que não divulgará todos os arquivos na íntegra, citando a necessidade de proteger informações pessoais de vítimas e dados de investigações em andamento. A lei permite a ocultação de informações pessoais de vítimas ou dados de investigações que ainda não foram concluídas.
No entanto, a legislação proíbe censuras baseadas em “constrangimento, dano à reputação ou sensibilidade política”. A identidade de todas as vítimas de tráfico sexual cujos nomes constem nos documentos será protegida.
Epstein foi acusado de abusar de mais de 250 meninas menores de idade. O caso ganhou notoriedade renovada neste ano com o debate sobre a liberação dos arquivos, impulsionado em parte pelo próprio presidente Donald Trump.