Arquivos de Epstein: quem são os bilionários e poderosos citados nos documentos liberados, entre Elon Musk, Bill Gates, Richard Branson e outros nomes influentes

Os arquivos de Epstein, liberados em janeiro, trazem trocas de e-mails, fotos e vídeos que citam bilionários, políticos e celebridades, e não implicam necessariamente irregularidade

Milhões de páginas e imagens chocaram parte da opinião pública ao expandirem a lista de nomes ligados, em registros, ao financista condenado Jeffrey Epstein.

As menções vão de empresários de tecnologia a políticos e membros da realeza, em mensagens que incluem pedidos, convites, comentários e registros financeiros, mas sem contexto que comprove crimes.

As informações e os arquivos foram divulgados em lote no final de janeiro, e os dados constam em reportagens e nas próprias cópias dos documentos, conforme informação divulgada pelo G1.

Principais nomes citados nos arquivos

Entre os nomes que aparecem nos registros estão Elon Musk, Bill Gates, Richard Branson, Donald Trump, Andrew Mountbatten-Windsor, Sarah Ferguson, Lord Mandelson, Steve Bannon, Ehud Barak e outros executivos e celebridades.

Os trocados de e-mails trazem trechos como a pergunta de Musk em novembro de 2012, “Qual será o dia/noite da festa mais animada na sua ilha?”, e respostas afetuosas em mensagens entre Epstein e figuras de destaque.

Há registros de convites, mensagens de agradecimento, comentários sobre encontros e até fotos cujas circunstâncias não são explicadas, por exemplo imagens que parecem mostrar Andrew Mountbatten-Windsor em poses íntimas com uma mulher, sem data ou contexto fornecidos.

O que os documentos mostram, em números e exemplos

O último lote divulgado inclui, segundo as reportagens sobre a divulgação, três milhões de páginas, 180 mil imagens, 2 mil vídeos, além de e-mails e extratos bancários que citam pagamentos e hospedagens.

Os materiais exibem uma variedade de registros, desde trocas coloquiais até provas de doações recusadas, como no caso do Grupo Virgin, que disse ter recusado uma doação após checagens que revelaram alegações sérias.

Também aparecem mensagens em que Epstein combina estratégias de imagem com aliados, exemplos de amizades repetidas após a condenação de 2008, e indícios de transferências financeiras para contas vinculadas a algumas figuras.

Respostas públicas e negações

Em muitas menções nos arquivos, a presença de um nome não implica crime, e fontes ligadas às pessoas citadas têm negado envolvimento ou declarado que os contatos foram limitados a eventos sociais ou profissionais.

Um porta-voz de Gates afirmou, em resposta à divulgação, que “Essas alegações, vindas de um mentiroso comprovadamente ressentido, são absolutamente absurdas e completamente falsas.”

Elon Musk declarou, em postagem pública, preocupação com o uso dos e-mails para difamar seu nome, mas disse estar mais interessado em que haja responsabilização dos que cometeram crimes com Epstein.

Outros citados, como Richard Branson, reafirmaram que contatos foram esporádicos e que políticas de diligência prévia impediram doações quando surgiram denúncias, e figuras como Peter Attia negaram envolvimento em atividades criminosas.

Consequências políticas e próximas etapas

A divulgação seguiu um prazo estabelecido pela chamada Lei de Transparência dos Arquivos Epstein, sancionada em novembro, e parlamentares afirmam que ainda podem existir documentos retidos pelo governo.

Algumas menções já geraram investigações ou pedidos de explicações, como inquérito da Polícia Metropolitana de Londres sobre pagamentos a contas ligadas a Lord Mandelson, e demissões ou afastamentos de cargos por quem admitiu erro ao manter contato com Epstein.

Especialistas jurídicos e parlamentares acompanham os desdobramentos, e fontes pedem cautela na leitura dos arquivos, porque, conforme as próprias matérias que analisaram o material, não há indícios de que aparecer nos documentos implique qualquer irregularidade.