Arquivos de Jeffrey Epstein: Nova Remessa Revela Fotos, Áudios e Menções ao Brasil

Governo Trump Divulga Milhares de Documentos do Caso Epstein, Incluindo Imagens e Menções ao Brasil

O governo dos Estados Unidos divulgou uma nova e substancial remessa de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein, totalizando mais de 11 mil arquivos. Esta divulgação ocorre dias após a primeira leva de informações, que já havia gerado grande repercussão.

Os documentos recém-liberados contêm um volume considerável de material, incluindo fotografias, gravações de áudio, registros judiciais e centenas de vídeos. Entre eles, destacam-se imagens de vigilância datadas de agosto de 2019, período em que o socialite e traficante sexual Jeffrey Epstein foi encontrado morto em sua cela.

A divulgação atende a um prazo estipulado para a liberação de todos os arquivos pertinentes à investigação, que expirou na última sexta-feira. A lentidão e a censura em parte dos documentos já haviam gerado críticas por parte da oposição democrata e do público em geral. Conforme informação divulgada pelo G1, o Departamento de Justiça americano foi acusado de reter informações cruciais.

Novos Documentos: Celebridades, Brasil e Vídeos Inéditos

A nova leva de arquivos traz à tona detalhes intrigantes, como fotos de Jeffrey Epstein ao lado de figuras proeminentes como Michael Jackson e o ex-presidente Bill Clinton, além de Mick Jagger. O contexto exato em que essas imagens foram capturadas ainda não está totalmente esclarecido, mas sua inclusão nos documentos reforça a amplitude das conexões do bilionário.

De particular interesse para o público brasileiro, os documentos contêm duas menções explícitas ao Brasil. Em uma delas, datada de janeiro de 2005, Epstein recebeu um recado para ligar para um novo telefone de uma mulher, com o assunto “Brasil”. O remetente deste recado, no entanto, foi censurado.

Em outro arquivo, uma anotação manuscrita indica que uma mulher, cujo nome também foi omitido, teria sido fotografada sem o seu conhecimento. Essa pessoa teria viajado para o Brasil aos 18 anos e retornado aos Estados Unidos dois anos depois, adicionando mais uma camada de mistério à rede de Epstein.

O Prazo Expirou, Mas Nem Todos os Arquivos Serão Revelados

Embora o prazo para a divulgação completa dos documentos tenha se encerrado, o vice-procurador-geral Todd Blanche informou que nem todo o conjunto de arquivos relacionados a Epstein será tornado público. Ele previu a divulgação de “centenas de milhares” de documentos nas próximas semanas, mas ressaltou que a totalidade do material pode não ser liberada.

O Departamento de Justiça já havia sinalizado que parte do material seria retida, especialmente se contiver informações sobre investigações em andamento ou que possam comprometer a segurança de vítimas e investigações atuais. A proteção da identidade das vítimas de tráfico sexual é uma prioridade, assim como a preservação de dados de investigações ainda em curso.

A Pressão Política e as Promessas de Trump

O caso Jeffrey Epstein ganhou novo fôlego com a participação do presidente Donald Trump no processo de divulgação dos arquivos. Durante sua campanha presidencial de 2024, Trump prometeu tornar públicos documentos secretos sobre o caso, chegando a classificar como “muito estranho” o fato de uma lista de clientes de Epstein nunca ter sido divulgada.

Apesar de uma promessa inicial de que uma lista de clientes estaria disponível, o Departamento de Justiça posteriormente declarou não ter encontrado provas de sua existência, o que frustrou apoiadores de Trump e alimentou teorias da conspiração. A postura do presidente em relação ao caso mudou ao longo do tempo, passando de um interesse declarado para minimização do tema.

A pressão política, tanto da oposição quanto de membros do próprio partido republicano, aumentou para que todos os documentos fossem liberados. O Congresso dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei, sancionado por Trump, que determinou a liberação das informações. O texto, que alcançou o número mínimo de assinaturas com apoio de republicanos, foi visto como uma vitória para a transparência no caso Epstein.

E-mails Revelam Conexões e Dúvidas sobre a Relação Trump-Epstein

Em novembro, o Congresso dos EUA divulgou mais de 20 mil páginas de arquivos que incluíam e-mails trocados por Epstein. Algumas mensagens levantaram novas dúvidas sobre a relação entre o bilionário e o presidente Trump. Em um e-mail de janeiro de 2019, Epstein escreveu que Trump “sabia sobre as garotas”, mencionando também uma vítima e o resort Mar-a-Lago de Trump.

Em outra troca de e-mails, de 2011, Epstein comentou com Ghislaine Maxwell, sua parceira, sobre Trump, dizendo que “o cachorro que não latiu é Trump” e que uma das vítimas “passou horas na minha casa com ele, e ele nunca foi mencionado uma única vez”. Esses e-mails levaram deputados democratas a questionar o conhecimento de Trump sobre as atividades de Epstein.

A Casa Branca, por meio de sua porta-voz Karoline Leavitt, afirmou que os arquivos divulgados demonstram que o presidente “não fez nada de errado”, e que a polêmica envolvendo os e-mails é uma “armadilha” criada pela oposição. O jornal The New York Times, no entanto, sugeriu que Trump pode ter mais conhecimento sobre a conduta de Epstein do que admitiu publicamente, mantendo o caso Jeffrey Epstein sob intenso escrutínio.